Prédios históricos de São Paulo: Prédio Ouro para o Bem de São Paulo

No ano de 2015, São Paulo relembra 82 anos da Revolução Constitucionalista, último movimento armado brasileiro, que marcou a luta contra as forças de Getúlio Vargas, governante do Brasil por um golpe de Estado.

Embora o governo tivesse ordenado o bloqueio naval do porto de Santos a fim de isolar enfraquecer os combatentes paulistas, a Revolução foi um marco na história do Brasil, desencadeando a promulgação de uma nova Constituição que, dentre outros, passava a dar o direito ao voto secreto e às mulheres.

O prédio ““Ouro para o Bem de São Paulo”

Bem no centro da cidade de São Paulo, colado a vários outros prédios acinzentados e com pouco destaque, em reformas que parecem não ter fim, está um símbolo da Revolução Constitucionalista. É o prédio de nome Ouro para o Bem de São Paulo, localizado à Rua Álvares Penteado nº 23, na Região Sé.

Projetado em 1939 pelo Escritório Severo e Villares e executado pelo Escritório Camargo e Mesquita, o edifício em estilo Art Déco registra o grande símbolo dos paulistas: a bandeira de São Paulo.

Vamos conhecer esse prédio e sua origem, que representam um detalhe histórico da cidade.

O prédio mede 50 metros de altura e 30 metros de largura, tem 13 andares e a fachada representa a bandeira paulista como que tremulando ao vento, com suas treze listras, em que cada um dos andares corresponde a uma das 13 listas da bandeira.

O mastro simboliza as alianças de ouro doadas para a sua construção, com um capacete constitucionalista ao alto. Quase no topo, ao lado do mastro, há uma grande janela redonda que remete ao círculo com o mapa do Brasil existente na bandeira original (ver foto).

Após reunião ocorrida em 8 de agosto de 1932 na Associação Comercial de São Paulo, teve inicio uma campanha chamada Campanha “Doe Ouro para o Bem de São Paulo” para arrecadação de fundos para a manutenção da Revolução.

Muito bem organizada, a Campanha contava com duas comissões: a Diretiva, a cargo de José Maria Whitacker, da Associação Comercial de São Paulo, e a Executiva, com setores de arte e publicidade, sob o comando de Antonio Prado Jr.. Foram criados, por concurso, cartazes comemorativos e de propaganda e a grande motivação da população pela causa revolucionária fez com que fossem realizadas cerca de 70 mil doações e exatas 56.283 alianças de casamento! Muitos que nada tinham em dinheiro, jóias ou outros bens de valor doavam apenas suas alianças, numa honrosa demonstração de adesão à causa.

O valor recebido na época, relatado pela Santa Casa foi de 6.648:499$010 (seis mil e seiscentos e quarenta e oito contos, quatrocentos e noventa e nove mil e dez réis, moeda da época).

Os que realizavam alguma doação recebiam um certificado, como um diploma, ou um anel de latão, com a inscrição que marcou esse nobre momento da nossa história e também o nome do edifício: “Doei ouro para o bem de São Paulo”, exibido com muito orgulho ainda hoje.

Agora vamos chegar ao prédio.

Percebendo a supremacia das tropas federais sobre a minoria de combatentes de São Paulo, houve por bem doar-se o restante do valor arrecadado antes que esse ouro fosse perdido. Entidades filantrópicas receberam doações, porém foi a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo quem recebeu a maior quantia.

Com os recursos que foram repassados pela Associação Comercial para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi erguido o Prédio Ouro para o Bem de São Paulo, ainda hoje patrimônio da Santa Casa de São Paulo, que se beneficia do aluguel de suas lojas.

Ainda em relação à Santa Casa de São Paulo, em sua sede é mantido um museu com livros e documentos que conservarão para sempre a relação completa dos doadores da Campanha de 1932 e os respectivos valores doados por cada um

Apesar da derrota militar São Paulo teve a vitória política, uma vez que Getúlio Vargas cedeu às pressões e convocou uma assembléia constituinte que resultou, dois anos depois, na Constituição de 1934.

Os ideais e valores dos jovens de 32 inspiram ainda hoje o amor à causa pública e a bandeira paulista em concreto está no coração da cidade eternizando as memórias de um marco cívico paulista que refletiu em todo o país.

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