Os relógios que marcam as fachadas de São Paulo – Parte 1 Centro, onde tudo começou

Desde a fundação da cidade os relógios de fachadas e ruas têm se destacado como referência para informar aos transeuntes o horário da cidade com pontualidade. Dentre os relógios que marcam as fachadas de São Paulo do centro, onde tudo começou, destacam-se o maior relógio, o mais antigo, o mais elaborado, o confeccionado em pedra e cada um merece uma pausa para ser admirado.
Muitos dos primeiros relógios de São Paulo já não existem, porém edificações magníficas têm sido tombadas pelo patrimônio público e desta forma preservarão também seus relógios não apenas na memória histórica, mas como marcos a serem admirados.
Nesta primeira parte destacarei sete dos primeiros relógios instalados na cidade e todos eles estão em pleno funcionamento.

1. Relógio da Faculdade de Direito de São Francisco

Dentre os relógios de fachada de prédios de São Paulo, o existente na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, também conhecida por “Faculdade de Direito de São Francisco” ou “Arcadas” é considerado o primeiro relógio a ser instalado na cidade.
A Faculdade de Direito está localizada no Largo de São Francisco, que surgiu em meados de 1640 com a fundação do conjunto arquitetônico do Convento de São Francisco, da Igreja de São Francisco de Assis ou Igreja de Ordem Primeira e da Igreja Chagas do Seráfico Pai São Francisco, sendo considerado o principal conjunto de arquitetura barroca religiosa da cidade de São Paulo.
O primeiro curso de direito do Brasil, a Academia de Direito de São Paulo, agora Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi criado por ordem de D. Pedro I e iniciou suas atividades em 1828, menos de seis anos após a proclamação da Independência do Brasil. A faculdade instalou-se no antigo convento do Largo de São Francisco ao lado das duas igrejas franciscanas. Convento e Escola inicialmente funcionavam juntos e os estudantes chegavam até as classes entrando pela Sacristia. O Império tinha como principal objetivo que a faculdade formasse no próprio país, governantes e administradores públicos capazes de estruturar e conduzir o Brasil recém emancipado, o que realmente aconteceu.
O curso foi um marco para os alunos que agora não precisavam mais estudar em Coimbra e para a cidade de São Paulo, pois o grande número de estudantes amantes da vida cultural e também boêmia fez a cidade despertar para a agitação. O surgimento de teatros e cafés foi um passo inicial para a progressiva vida cultural que já seria definitivo.
O prédio original da faculdade, construído em taipa de pilão, possuía estilo colonial e foi demolido em 1930 para dar lugar a um novo prédio agora adaptado às maiores necessidades da faculdade. Foram conservadas as arcadas que integravam o claustro do convento dando origem ao símbolo da Faculdade de Direito, ”Arcadas”.
Em estilo neocolonial o novo prédio da Faculdade de Direito foi projetado pelos escritórios Ramos de Azevedo e inaugurado em 1934 antes de ser concluído. As duas igrejas ao lado, de 1647 e 1787 após ampliação, no entanto, foram preservadas.
Em 1880 ocorreu um grande incêndio no convento que ardeu durante três horas com grande destruição, o que levou a nova remodelação e modernização do prédio, sendo dessa época a instalação do relógio na fachada. Nova alteração na estrutura do prédio da Faculdade se daria ainda em 1930, quando houve uma completa reformulação, mantendo-se, contudo, a arquitetura dos arcos do pátio central bem como o antigo relógio.
E é assim que na fachada da Faculdade de Direito do Largo São Francisco se encontra o relógio considerado o mais antigo da cidade. Este foi o primeiro relógio instalado na fachada de um prédio em São Paulo, em 1884, após a reforma pós-incêndio.
O relógio mecânico é um aparelho de fabricação francesa, marca Coll in sur Wager Horloger, foi fabricado em 1884 e tem o detalhe de apresentar o numeral romano “IIII” ao invés da tradicional forma “IV”. O relógio da Faculdade de Direito de São Francisco é mantido da forma original até hoje e tem precisão absoluta, sendo tombado pelo patrimônio público junto com todo o conjunto arquitetônico. A manutenção de seu funcionamento está a cargo da família dos relojoeiros Fiorelli, responsáveis também pela conservação de outros relógios de fachada da cidade.

Local: Largo São Francisco, 95 – Centro – São Paulo

2. Relógio da Igreja de São Gonçalo

A Igreja de São Gonçalo, cuja denominação oficial é Matriz Paroquial Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo e Matriz Paroquial Nossa Senhora da Assunção e São Paulo foi o marco inicial da urbanização de uma parte isolada e pobre da cidade quando foi fundada em 1757, num local conhecido como Largo da Cadeia.
Detalhe que o nome original do orago de Nossa Senhora da Conceição logo foi substituído pelos devotos de São Gonçalo Garcia, quando ele ainda não havia sido canonizado e, portanto não poderia dar nome à pequena igreja.
São Gonçalo Garcia tinha origem indiana, era pardo e como frade franciscano partiu para o Japão como intérprete dos missionários e pregador do Evangelho. Problemas políticos entre nações o levaram a ser crucificado em Nagasaki, no Japão, juntamente com mais 22 missionários cristãos, conhecidos por isso como “Os 26 Mártires do Japão”. Esse fato de sua biografia o uniu à comunidade nipônica e ainda atualmente a missa das 8 horas de domingo é celebrada em japonês.
Essa pequena igreja amarela tem uma fachada simples, porém rica em história. Desde sua construção inicial no século XVIII feita pela Irmandade Nossa Senhora de Conceição e de São Gonçalo a igreja tem passado por diversas intervenções e reformas, principalmente durante a segunda metade do século XIX. Detalhe para as obras que deram o aspecto atual à igreja que datam de 1840, o frontispício atual, com torre única, datado de 1878 e a ralização da última reforma em 1893.

Peças originárias de outras igrejas foram encaminhadas à Igreja de São Gonçalo e aqui está incluído o relógio, uma relíquia histórica. É nessa igreja com mistura de estilos barroco e rococó que pode ser visto na torre única que fica à sua direita um relógio de pedra isolado na fachada. Nem sempre ele esteve nesse local e lá foi instalado após o desabamento do telhado da antiga Igreja do Pateo do Collegio, a Igreja São Jose de Anchieta. A preocupação com a conservação de bens inestimáveis da primeira igreja de São Paulo cuja primeira construção é datada da fundação da cidade fez com que valores que não foram destruídos fossem realocados. Foram transferidos a essa igreja o mostrador de pedra do relógio em questão junto com importantes peças como a pedra fundamental da antiga igreja do Colégio dos Jesuítas com a inscrição “Jesus”, que agora pode ser vista acima da porta de entrada da Igreja de São Gonçalo. Detalhe que essas peças seguem, contudo, patrimônio da Igreja São Jose de Anchieta.
Nos anais da Igreja de São Gonçalo está registrado no dia 30 de março de 1896 o encaminhamento do mostrador do relógio por dois jesuítas com o apoio do Monsenhor Arcoverde como relíquia recuperada antes da prevista demolição da igreja do Colégio.
Dessa forma a origem do relógio feito em pedra, embora sem data exata, mas que pode ser visto em antigas fotos da Igreja do Pateo do Collegio antes do desabamento que ocorreu na noite de 13 de março de 1896 poderia ser o primeiro relógio de fachada da cidade de São Paulo, pois estaria na antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas talvez antes do ano de 1884 quando foi instalado o relógio da Faculdade de Direito de São Francisco.

Por se tratar de um patrimônio arquitetônico e histórico da cidade de São Paulo, a igreja de São Gonçalo foi com justiça tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) em 1971.

Local: Praça Dr. João Mendes, 108 – bairro da Liberdade – São Paulo

3. Relógio da Estação da Luz

A Estação da Luz assim com a vemos hoje é na verdade a segunda construção, pois a primeira Estação da Luz projetada em 1867 para o escoamento da produção de café do interior até o porto de Santos tornara-se pequena para a crescente produção paulista. Entre 1895 e 1901 a Companhia São Paulo Railway, a primeira ferrovia paulista, conhecida como “a Inglesa” construiu outra estação no mesmo local, muito maior e mais imponente, inspirada em uma estação australiana, a Flinders Street Station, localizada em Melbourne. E assim, a Estação da Luz foi aberta ao público em 1º de março de 1901, já com seu relógio em funcionamento.
A Estação da Luz é o marco zero na ferrovia paulistana e tem no total 7.520 mil metros quadrados. O edifício da estação, em estilo neoclássico, tem 150 metros de comprimento de fachada com uma torre de 50 metros de altura onde o famoso relógio ocupa o seu topo. Construída em alvenaria de tijolos sobre os mecanismos pré-moldados ingleses, os materiais da construção da Estação da Luz foram todos importados da Inglaterra, chegando a São Paulo pelo Oceano Atlântico. As mais variadas peças viajaram de navio, como pregos, tijolos, madeira (pinho-de-riga irlandês), telhas cerâmicas francesas e a estrutura de aço de Glasgow, Escócia.

O relógio original da Estação da Luz era uma réplica do londrino Big Ben. Fabricado pela inglesa J. H. Walker chegou ao Brasil em 1898 e foi inaugurado em 1901 por Julio Muller, o primeiro relojoeiro da cidade.
Em 1946 o prédio da Luz foi parcialmente destruído por um grande incêndio criminoso que durou mais de sete horas e tanto o relógio quanto o sino que toca as horas derreteram com as labaredas que subiam pela torre. A reconstrução e ampliação da estação foram bancadas pelo governo e se estenderam até 1951 quando um novo relógio, o atual, foi concebido numa empresa familiar de nome Michelini, no bairro paulistano da Mooca, famosa pela fabricação de relógios mecânicos para torres de igrejas e vários tipos de fachadas.
O relógio, considerado um dos mais altos de São Paulo, possui quatro faces de quase quatro metros e meio de diâmetro e funciona mecanicamente, sendo necessário dar corda uma vez por semana. Com mecanismo relativamente simples, o relojoeiro que o mantém gira uma manivela que faz subir dois pesos de ferro maciço, um que serve para que o relógio funcione, com peso de 80 quilos e outro para que o sino seja tocado, este pesando 140 quilos.
O relógio da Estação da Luz apresenta dois interessantes detalhes: em cada canto há um numeral que com os quatro cantos forma o número 1900. O relógio foi construído para a entrega da estação que seria no ano de 1900, mas que acabou ocorrendo em 1901.
Outro detalhe é o uso do numeral romano “IIII” ao invés da tradicional forma “IV”. É referido que o numeral do relógio é a versão romana mais antiga e as explicações para sua utilização vão desde aspecto mais estético e simétrico até uma possível origem religiosa romana.

A manutenção precisa do funcionamento desse relógio está a cargo do relojoeiro Augusto Fiorelli, que herdou a habilidade e amor pela profissão de seu avô.

Em 1982 o complexo arquitetônico da Estação da Luz, localizado no bairro da Luz no centro de São Paulo, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat).
A estação que o relógio sinaliza ainda é uma das principais estações de transferência da população em horário de pico, com acesso central ao trem e também ao metrô paulistano, embora sem o brilho da época áurea quando o relógio era referência de tempo dos paulistanos.
Local: Praça da Luz, 1 – Centro – São Paulo

4. Relógio do Mosteiro de São Bento

O Mosteiro de São Bento é um símbolo religioso, arquitetônico e cultural de São Paulo. Foi erguido em 1598 no sítio histórico mais antigo da cidade próximo ao local de sua fundação pelos padres jesuítas, o Pátio do Colégio. Era o segundo local mais nobre e bem localizado no alto da elevação de São Paulo, onde originalmente se localizava a Taba do cacique Tibiriçá.

A imponente e bela abadia que vemos hoje ocupando todo um quarteirão no centro da cidade e que tanto atrai os olhares de todos não foi assim desde o início, sendo esta a quarta construção. Em 1598 Frei Mauro Teixeira fundou no local uma capela simples dedicada a São Bento. Após a inauguração do pequeno santuário e com a doação do terreno de forma perpétua aos monges no ano de 1600 ocorreu a primeira ampliação da capela. Graças ao imprescindível auxílio do bandeirante Fernão Dias Pais no ano de 1650 foi procedido a uma nova ampliação da igreja que honrou São Bento e Santa Escolástica e também a uma melhora nas dependências do Mosteiro. No início do Século XX foram construídos o “Gimnásio de São Bento”, atual Colégio de São Bento seguido pela fundação por Don Miguel Kruse da primeira Faculdade de Filosofia da América Latina.

Com o progresso da cidade e aumento de sua população a antiga igreja foi demolida e uma nova Igreja e Mosteiro foram construídos ente 1910 e 1914 completando o grandioso conjunto beneditino que conhecemos hoje: a igreja (Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção), o Mosteiro (onde habitam monges enclausurados) e o Colégio de São Bento. No ano de 1922 a nova basílica ricamente adornada por esculturas e relevos foi consagrada e recebeu os sinos e o belo relógio dourado.
Este texto pode se lido na íntegra em: http://www.blogdate.com.br/brunch-no-mosteiro-de-sao-bento-um-evento-dominical/

O relógio da fachada de um dos monumentos mais importantes de São Paulo, o Mosteiro de São Bento, está localizado entre as duas torres da igreja, é de fabricação alemã, pesa 5 toneladas e meia e foi construído em 1914. É o maior relógio de fachada da cidade. De alta precisão, por muitos anos até o século XX foi o principal referencial de horário para os paulistanos, que acertavam seus relógios de pulso por ele. O maquinário do relógio conta com um carrilhão e seis sinos cujas badaladas soam intensamente a cada quarto de hora.
O engenheiro mecânico que faz mensalmente a manutenção do relógio refere que uma rádio paulistana transmitia as badaladas do sino todos os dias ao meio dia.

Local: Largo de São Bento – Centro – São Paulo

5. Relógio do Palácio dos Correios

O prédio histórico dos Correios de São Paulo, o Palácio dos Correios, é um espaçoso edifício de 15 mil metros quadrados inaugurado em 22 de outubro de 1922 como parte das comemorações do primeiro centenário da Independência do Brasil.
O prédio foi projetado pelos arquitetos italianos Domiziano Rossi e Felizberto Ranzini, na sua conclusão, ambos dos escritórios Ramos de Azevedo em uma época de grande expansão dos serviços postais. Possui estilo eclético, comum nesse período, sendo composto por um grande prédio principal, com quatro pavimentos e um porão, e um bloco secundário, com três pavimentos.
A fachada é dividida em três partes, e é no topo da fachada central localizada de frente para a Praça Pedro Lessa, a “Praça dos Correios”, que pode ser visto um relógio. Como outros relógios antigos de fachada do centro da cidade este também têm o numeral romano “IIII” ao invés da tradicional forma “IV”. O relógio é adornado lateralmente por duas figuras humanas e abaixo por uma guirlanda.

Em 2012 ocorreu longo período de restauração e reformas no prédio e à conclusão voltou a abrigar a Agência Central dos Correios no térreo. A Agência Filatélica D. Pedro II situa-se no primeiro andar e os três andares superiores são reservados para o Centro Cultural Correios, este inaugurado em 2013.
Posteriormente à reforma, em 2012, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) tombou o prédio, em um processo que tratou também do tombamento de toda a região do Vale do Anhangabaú.

Local: Avenida São João, s/nº – Vale do Anhangabaú – Centro – São Paulo

6. Relógio Público de Níchile

No coração do centro velho da cidade de São Paulo está localizada a charmosa Praça Antonio Prado, antigo Largo do Rosário. Nessa praça há um detalhe histórico, um equipamento urbano que não pode passar despercebido. É o Relógio de Níchile. Ele está tão bem posicionado e incorporado à paisagem local que parece ser ele quem observa os pedestres de sua altura. Não é um relógio localizado numa fachada de construção como os anteriormente descritos, porém também tem localização externa e pertence ao grupo dos primeiros relógios da cidade que ainda existem em funcionamento. O relógio da praça está localizado no cruzamento da Rua São Bento com o início da Avenida São João, no Boulevard São João, bem em frente ao Edifício Martinelli.
Seu nome, relógio de Níchile, é originário do publicitário Ottávio de Níchile, falecido em 1986, que ali o instalou em 1935 segundo consta na placa de identificação, com o objetivo de fornecer a hora exata naquele local de intenso movimento e servir como espaço para publicidade.
A idéia oficial de solicitar espaço público à prefeitura para colocar relógios no centro da cidade ocorreu em 1929. O relógio, um monumento em estilo clássico, fica no alto de um pedestal de ferro de 8 metros que se apóia numa base de granito e possui os números do branco mostrador em algarismos romanos. Na verdade são três relógios, cada um voltado para um lado. Três caixas ficam presas ao poste que sustenta o relógio e estão prontas para receber propagandas, bem como as quatro faces da base.
Um detalhe de “antigamente” mostra como o relógio sempre chamou a atenção a ponto de que, na época em que estava sendo instalado na Praça Antonio Prado, o poeta Guilherme de Almeida publicar uma crônica no jornal O Estado de S. Paulo datada de 9 de fevereiro de 1935, onde fazia referência a “um icônico monumento ao tempo: um relógio”.
O Relógio Público de Níchile da Praça Antonio Prado é o único sobrevivente de uma série de seis relógios, três no litoral paulista e mais dois no centro da cidade de São Paulo, na Praça da Sé e no Largo do Arouche (o primeiro). Possui valor histórico incontestável a ponto de ter sido tombado em 1992 como “bem cultural de interesse histórico e tecnológico”.
Os descendentes de Ottávio são os únicos responsáveis pela sua manutenção e o relógio de Níchile nunca deixou de funcionar ou de perder sua pontualidade.

Local: Praça Antonio Prado – Sé – São Paulo

7. Relógio da Estação Júlio Prestes

A Estação Júlio Prestes foi inaugurada em 10 de julho de 1872 pela Estrada de Ferro Sorocabana, era simples e pequena e denominava-se Estação São Paulo. Era a estação inicial da estrada de ferro e tinha como objetivo o transporte de sacos de grãos de café do interior e São Paulo e norte do Paraná para a capital paulista.
Em 1917 foi inaugurada uma segunda estação, um prédio projetado pelo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo, que ao passar para o controle do estado serviu de prisão política durante a Ditadura Militar brasileira. Este prédio, bem ao lado da atual Estação Julio Prestes, abriga atualmente a Estação Pinacoteca e o Memorial da Resistência.
A imponente Estação Julio Prestes vista hoje e agora tombada pelo Patrimônio Histórico, cartão-postal de São Paulo, é a terceira construção. Foi projetada pelos arquitetos Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves em 1925 e concluída em 1938.
Detalhe que o nome Julio Prestes só viria a ser adotado em 1951 em homenagem ao presidente da Província do Estado de São Paulo e presidente do Brasil, Julio de Albuquerque Prestes.
Com 25 mil metros quadrados tem três pavimentos em estilo neoclássico e uma torre de 75 metros de altura numa das extremidades, com esculturas e um grande relógio, o maior de São Paulo e o segundo em tamanho do Brasil.
Para ter acesso ao relógio entra-se pela torre da Estação Julio Prestes subindo cinco andares por um antigo elevador com porta pantográfica. Mais dois lances de escada e lá estará o gigante das horas.
O relógio da torre é de fabricação inglesa, da marca Oben, e foi construído em 1935. O relógio da Estação Julio Prestes na verdade são quatro máquinas independentes apontando de cada uma das quatro faces da torre. Cada um pesa 400 quilos e tem mostradores de 4 metros de diâmetro, em vidro fosco. O ponteiro que marca as horas mede 1,60 metros e o ponteiro dos minutos mede 1,80 metros. Assim como seu relógio vizinho da Estação da Luz, também tem o detalhe do uso do numeral romano “IIII” ao invés da tradicional forma “IV”.
O mecanismo de funcionamento é original e único na cidade de São Paulo, pois o relógio é movido por um sistema elétrico e mecânico juntos.
Detalhe que, além de mecanismo misto mecânico e elétrico, cada face do relógio possui uma máquina independente.
A manutenção do relógio ocorre de forma individualizada e com peças produzidas artesanalmente por seu relojoeiro.
O grande prédio rico em detalhes como vitrais da Casa Conrado abriga, além de estação de trens metropolitanos, a Secretaria de Estado da Cultura e a Sala São Paulo, criada na década de 1990 para abrigar a Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP). A Sala São Paulo é a casa de espetáculos mais importante e moderna da América Latina e foi construída no espaço ocupado pelo jardim interno da estação.

Local: Praça Júlio Prestes – s/nº – Luz – Centro – São Paulo

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