O histórico e pontual Relógio Público de Níchile

Quem caminha pela Praça Antonio Prado, antigo Largo do Rosário, no coração do centro velho da cidade de São Paulo, pode admirar belas edificações, turísticos quiosques de madeira em estilo retrô que abrigam engraxates, cabine de telefones públicos além de coreto, bancas de jornal e a energia do grande número de transeuntes. Contudo, há um detalhe histórico, um equipamento urbano que não pode passar despercebido. É o Relógio de Níchile. Ele está tão bem posicionado e incorporado à paisagem local que parece ser ele quem observa o público de sua altura.

O relógio da praça está localizado no cruzamento da Rua São Bento com o início da Avenida São João, no Boulevard São João, bem em frente ao Edifício Martinelli.

Seu nome, relógio de Níchile, é originário do publicitário Ottávio de Níchile, falecido em 1986, que ali o instalou em 1935 segundo consta na placa de identificação. A ideia oficial de solicitar espaço público à prefeitura para colocar relógios no centro da cidade ocorreu em 1929. Foi construído com o objetivo de fornecer a hora exata naquele local de intenso movimento além de servir como espaço para publicidade.

O relógio, um monumento em estilo clássico, fica no alto de um pedestal de ferro de 8 metros que se apóia numa base de granito e possui os números do branco mostrador em algarismos romanos. Na verdade são três relógios, cada um voltado para um lado. Três caixas ficam presas ao poste que sustenta o relógio e estão prontas para receber propagandas, bem como as quatro faces da base.

Um detalhe de “antigamente” mostra como o relógio sempre chamou a atenção a ponto de que, na época em que estava sendo instalado na Praça Antonio Prado, o poeta Guilherme de Almeida publicar uma crônica no jornal O Estado de S. Paulo datada de 9 de fevereiro de 1935, onde fazia referência a “um icônico monumento ao tempo: um relógio”.

O Relógio Público de Níchile da Praça Antonio Prado é o único sobrevivente de uma série de seis relógios, três no litoral paulista e mais dois no centro da cidade de São Paulo, na Praça da Sé e no Largo do Arouche (o primeiro). Possui valor histórico incontestável a ponto de ter sido tombado em 1992 como “Bem cultural de interesse histórico e tecnológico”.

O filho de Ottávio, engenheiro Mário Montini de Níchile, herdou o relógio de seu pai e desde a década de 80 é o único responsável pela sua manutenção, tenha ele patrocínio ou não. Agora a filha Tarsila, neta de Ottávio de Níchile, é a próxima a entrar na luta pela preservação desse monumento-memória da cidade, mas um fato é certo: o relógio de Níchile nunca deixou de funcionar ou de perder sua pontualidade.

Após 80 anos da implantação desse equipamento urbano algumas informações já se confundem. Foram 6 ou 8 relógios instalados por Ottávio de Níchile? A pronúncia correta do nome é “Nichíle”, conforme entrevista do próprio Mário de Níchile. Porque então a placa do relógio está com acentuação diferente? Mais uma prova da importância da conservação da história de nossa cidade, que ainda é tão curta!

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