Museu do Tribunal de Justiça Palacete Conde de Sarzedas

O Palacete é uma construção em forma de castelo datada da década de 1890. Desde 2007 o Palacete abriga o Centro Cultural do Museu do Tribunal de Justiça, que originalmente estava sediado no segundo andar do prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo desde sua inauguração em 1° de fevereiro de 1995.
O Palacete Conde de Sarzedas é um museu que chama a atenção desde sua arquitetura exterior e interior até a riqueza de seu acervo. O museu tem como objetivo, além de realizar exposições temporárias e servir como espaço cultural, preservar e transmitir componentes materiais relacionados à tradição e memória do Poder Judiciário Paulista propondo-se a deter todo o acervo histórico existente do Estado de São Paulo, catalogar e designar locais adequados à sua exposição. Possui documentação histórica e objetos ligados à evolução do Poder Judiciário Paulista além de destacar aos eminentes vultos do passado que marcaram época desde a implantação do “Tribunal da Relação”, em 1874, na então província de São Paulo.

O que é importante durante a visitação

Com acesso fácil de metrô ou veículos de passeio, começamos admirando o castelinho em sí. O palacete possui estilo eclético com traços neogóticos e aspecto de castelo medieval. O castelinho, ocre com frontões amarelos, vitrais trabalhados e uma graciosa torre, tem um detalhe que rende boas fotos. O colorido e romântico palacete contrasta com o grande e moderno edifício vizinho todo envidraçado de azul que parece abraçá-lo. Enquanto o castelinho é o museu do Tribunal de Justiça de São Paulo, o prédio azul é o Edifício Nove de Julho, ocupado por gabinetes de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O Museu do Tribunal de Justiça é composto pelo andar térreo, primeiro andar e porão, este utilizado apenas como auditório.
A visita ao núcleo expositivo permanente parte da entrada de acesso, que não se dá pela porta principal do castelinho mas por uma porta com vitrais de cores exuberantes na lateral do palacete, na própria rua Conde de Sarzedas.
O piso térreo possui várias salas para visitação e já se destaca pelos acabamentos da construção e detalhes da rica decoração. Pisos de madeira bem conservados e tapetes completam o conforto do visitante. O acervo do museu é composto por mobiliário, objetos e vestimentas usados por antigos funcionários de várias funções, obras de arte como pinturas e esculturas e documentos antigos de interesse histórico do Poder Judiciário paulista.
Logo na entrada, após passar pela recepção você adentrará à sala ”Palacete Conde de Sarzedas”. Nessa sala é recriado o ambiente da sala de estar da família dos descendentes de Dom Bernardo, o 5º Conde de Sarzedas, que lá habitaram. Sofá, poltrona, duas cadeiras e mesa de centro com samovar recriam os tempos antigos. O jogo de sala é original procedente da França, em estilo boulle, e foi desenhado pelo marceneiro
Que produziu o mobiliário para a corte do rei Luis XIV.

No térreo também está montada a Sala do Júri, que recria um tribunal de júri popular. Por meio de objetos e documentos pode ser vista a evolução administrativa do Tribunal de Justiça e o Tribunal de Alçada e como era um tribunal. Em todo o piso térreo estão expostas centenas de objetos de uso rotineiro nos tribunais como carimbos, datadores e mata-borrões e peças de vestuário de magistrados, as togas. Também podem ser observados objetos de época de uso pessoal procedentes de vários Tribunais da Alçada ou que foram doados ao museu, além de honrarias como medalhas. No local estão expostas as curiosas urnas giratórias de madeira que eram utilizadas para o sorteio dos jurados além do processo sobre o Crime da Mala, que teve grande repercussão na época.
Em outra sala há espaço destacado para itens relacionados à escravidão e principalmente para o famoso jurista Luiz Gama. Nascido em Salvador em 1830, filho de um fidalgo português e um a negra alforriada, estudou Direito como autodidata sendo era assíduo frequentador da biblioteca as Faculdade de Direito no Largo São Francisco. Como ativista político e abolicionista, libertou mais de 500 negros por via judicial. Sua biografia completa-se 133 anos após sua morte quando, por fim, recebeu o título de advogado da Ordem dos Advogados do Brasil.
Apesar de tantas informações a serem descobertas, difícil será não desviar o olhar do acervo para admirar a decoração das salas, suas paredes, janelas e o teto, rica e delicadamente decorado e com cores vivas e diferentes em cada espaço.

História do Castelinho Conde de Sarzedas

Aqui vamos saber um pouco sobre a origem desse palacete antes de visitarmos o primeiro andar.
. Em fins do século XIX a região conhecida hoje como bairro da Liberdade foi ocupada de fato. Dentre as propriedades tradicionais que ali existiam estava a Chácara Tabatinguera, propriedade de Dona Anna Maria de Almeida Lorena Machado. Foi ela quem mandou abrir em suas terras, ruas como a Conselheiro Furtado e Conde de Sarzedas. Anteriormente, a chácara tinha sido propriedade de seu pai D. Francisco de Assis Lorena e seu avô, D. Bernardo José de Lorena, governador da capitania de São Paulo entre 1788 e 1797, vice-rei da Índia e quinto Conde de Sarzedas, título nobiliárquico criado em 1630 pelo rei Felipe IV da Espanha.
O atual palacete foi construído por volta de 1891 a pedido de Luís de Lorena Rodrigues Ferreira, descendente do Conde de Sarzedas e deputado por São Paulo. O que se sabe é que foi um presente do Luiz de Lorena, então com 60 anos, para sua futura esposa, a francesa Marie Luise Dellanger, 42 anos mais jovem e com quem veio a se casar e a tornar o palacete a residência oficial da família. Por esse motivo é conhecido também como “Castelinho do Amor”. Vitrais franceses, madeiras nobres, ladrilhos, piso hidráulico, lustres e outros objetos de decoração importados compunham o cenário idealizado por Luís de Lorena para a sua amada. O casarão, também, estava localizado em local privilegiado: no topo de uma colina. Subindo por uma escada estreita chegava-se a um mirante, de onde se podia avistar todo o vale do Tamanduateí.
Luís de Lorena Rodrigues Ferreira era filho de Dona Leonor Andromeda de Almeida Lorena, por sua vez descente de Dona Anna Maria, proprietária da Chácara Tabatinguera.
Após a morte do proprietário, Marie Luise, seu filho e nora ainda permaneceram no castelinho até 1939. Nesse ponto a história do Castelinho do Amor toma novo rumo, desde o total abandono a abrigo de sede de igreja evangélica, cortiços e invasões, até que em 2002 ocorreu o tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), sendo declarado patrimônio histórico municipal.
A Fundação Carlos Chagas, proprietária do terreno, restaurou a edificação após o tombamento, deixando as pesquisas e comando das reformas a cargo do arquiteto Samuel Kruchin.

Memórias da Revolução Constitucionalista de 1932 no primeiro andar

Voltando à visita, vamos subir uma escada para atingir o primeiro andar. Nesse piso o destaque é a sala inteiramente dedicada à Revolução Constitucionalista de 1932. A história desse heróico movimento, também conhecido como A Guerra Paulista, é contada através de textos, documentos, homenagens e objetos originais e raros utilizados pelos soldados na época. Há um gramofone ao lado da letra do hino Paris-Belfort, que ganhou letra de Guilherme de Almeida sendo o eterno Hino da Revolução. Na mesma mesa é possível ler um documento plastificado com a convocação de alistamento de voluntários para a causa constitucionalista.
Uma peça rara e muito importante para a Revolução de 1932 está lá. Protegida por vitrine envidraçada pode ser vista uma matraca, objeto de madeira idealizado para simular o som de metralhadora ao ser acionado por manivela. As armas não eram suficientes e seu som afastava os inimigos. Essa histórica e emocionante passagem de São Paulo pode ser lida com mais detalhes consultando http://www.blogdate.com.br/paris-belfort-e-cesar-ladeira-hino-e-voz-da-revolucao-constitucionalista-de-1932/ ou http://www.blogdate.com.br/revolucao-constitucionalista-de-1932-e-o-feriado-de-9-de-julho/.
Detalhe que ainda permanecem duas salas de exposição do Tribunal de Justiça de São Paulo no segundo andar do edifício do Tribunal, na Praça da Sé, das quais a sala “Espaço Cultural Poeta Paulo Bomfim” é principalmente dedicada à rica coleção particular do poeta e jornalista de itens utilizados por combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932.

Uma bela escada de madeira em caracol dá acesso à torre do Castelo, porém no momento da visita estava interditada. A partir de seus primeiros degraus podem ser vistos mais vitrais, agora como em janelas redondas e quadros com pinturas de prováveis personalidades.

Essa é uma visita pouco conhecida que parecerá, num primeiro momento, mais interessante aos conhecedores do meio jurídico, mas que irá surpreender pela quantidade de informação histórica e beleza do local. Destine uma hora de sua tarde para conhecer.

Local:

Rua Conde das Sarzedas, 100. Bairro da Liberdade, Subprefeitura da Sé.
Horário: das 11 às 17 horas, de segunda a sexta-feira.
O Palacete Conde de Sarzedas, pode ser visitado individualmente ou por grupos. Agendamento individual não é necessário.
Agendamento para grupos pelos telefones 3295-5817 / 5818 / 5819.
Entrada franca

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