Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)

Seguindo nosso programa de férias em São Paulo, vamos seguir de Metrô para um famoso museu e cartão-postal da cidade, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), que está num momento muito especial. O passeio inicia pela parada na estação do Metrô Trianon-MASP, com seu bonito acesso de vidro e elegante cobertura que, para mim, remete ao formato do mapa de São Paulo.

Não deixe de observar também o semáforo turístico, bem em frente à entrada do museu, na faixa de pedestres. Este é um dos vários semáforos turísticos existentes pela cidade e tem o desenho do prédio do MASP que se ilumina, ao invés de mostrar uma simples luz.

História da atual sede do MASP

O MASP é o maior e mais importante museu de arte ocidental da América Latina, sendo visitado por turistas e estudiosos de todo o mundo, além de ser muito querido pelos paulistanos. Muito famoso por seu acervo, o edifício em si já é uma obra de arte.

O prédio do MASP foi projetado por Lina Bo Bardi em 1958, para abrigar o museu criado pelo empresário paraibano Assis Chateaubriand, que estava localizado na Rua 7 de Abril, na sede dos Diários Associados desde 1947. Assis Chateaubriand, bem-sucedido jornalista e empresário, apesar de ser grande admirador de arte não era um profundo conhecedor e então convidou Pietro Maria Bardi, jornalista, crítico e colecionador de arte na Itália, para auxiliá-lo a montar e dirigir o acervo do museu. Bardi realizou várias viagens pela Europa do então pós-guerra para selecionar e adquirir obras de arte, algumas raras, para o futuro museu e veio para o Brasil com a esposa, a arquiteta Lina Bo Bardi, cujo centenário está sendo comemorado este ano.

A busca de uma sede própria para o museu levou à próspera Avenida Paulista, onde existia um terreno antes ocupado pelo Belvedere Trianon, pertencente ao engenheiro Joaquim Eugênio de Lima e doado à prefeitura. Havia, porém uma condição por parte do doador do terreno: a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira teria de ser preservada, através do vale da Avenida 9 de Julho. Para adequar o projeto arquitetônico do futuro museu, com as obras custeadas pela prefeitura, Lina brilhantemente idealizou o prédio com um bloco subterrâneo e um bloco suspenso a 8 metros do piso, cada um com dois pavimentos. O corpo principal é apoiado por duas grandes vigas e pousado sobre quatro pilares laterais, que permitem um vão livre de 74 metros, o maior do mundo na época. Com esse projeto a vista do vale foi preservada e hoje ainda pode se ter uma linda e arejada paisagem através do vão livre, além de possibilitar com conforto, dentre outros, a famosa Feira de Antiguidades que ocorre aos domingos.

A construção coube ao engenheiro e professor da Escola Politécnica José Carlos de Figueiredo Ferraz, responsável, dentre outros, pelo projeto da cúpula e das torres da Catedral da Sé.

Há um detalhe menos conhecido na construção do museu. Além de Assis Chateaubriand e os Bardi, outro nome, que não gostava de se expor, foi de importância fundamental. É Edmundo Monteiro, diretor executivo dos Diários Associados que, com seu cargo, negociava o apoio de anunciantes para arrecadar os fundos necessários à aquisição do acervo do museu, além de conquistar doadores e administrar a parte financeira incluindo a busca pelo local onde está o MASP hoje.

Foram 12 anos entre projeto e execução até que no dia 7 de novembro de 1968 a sede do MASP foi inaugurada com o discurso de S. M. Rainha Elizabeth II da Inglaterra, com grande pompa e sob os olhos da população nas calçadas. O prefeito era Faria Lima e Assis Chateaubriand falecera sete meses antes, não podendo ver a conclusão de seu sonho.

Atualmente o MASP é tombado pelo IPHANInstituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo CONDEPHAATConselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e pelo ConprespConselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

Acesso ao museu

Algumas dicas para visitar o museu podem ajudar.

  • Dias de semana são menos concorridos.
  • Há serviço de elevador para todos os pisos. O ascensorista, quando da minha visita, era super gentil e informava o que havia em cada piso quando parava. A dica, contudo, é subir pela escada. Forma-se uma fila para o elevador que desanima e atrasa a visita.
  • O horário habitual de visitas é das 10 às 18 horas, mas esteja atento porque a bilheteria encerra meia hora antes.
  • Às terças-feiras a entrada é gratuita o dia todo e às quintas-feiras é gratuita a partir das 17 horas e o museu fecha mais tarde, às 20 horas.
  • Mesmo sem ter necessidade de pagar ingresso como às terças-feiras ou por motivo de maior idade ou infância, não esqueça de retirar o ingresso na bilheteria mesmo assim, para não ter que perder seu lugar numa possível fila de entrada.
  • O ingresso, apesar de acessível, torna a visita ao MASP uma das mais caras, senão a mais cara vista a museu da cidade.
  • Para quem for de automóvel, o MASP tem convênio com um estacionamento bem próximo, na Alameda Casa Branca, 41. Neste caso, também não esqueça de validar seu ticket na saída do MASP. Em meu caso esqueci, e a apresentação do ingresso ao museu não valeu. Acabei pagando o preço cheio.

MASP EM PROCESSO

O MASP está em processo de renovação institucional, tendo o ano de 2015 dedicado à exploração dos diversos acervos do museu. Com início em 20 de dezembro de 2014 e ocupando o primeiro andar e o subsolo do museu, o MASP EM PROCESSO é a primeira mostra pública dessa nova etapa. Desta vez não foi programada uma exposição de obras de arte na forma tradicional, mas sim, conforme o próprio MASP informa:

Há uma espécie de prólogo ou ensaio de transição. O que está sendo revelado ao público é justamente o processo de montagem, de pesquisa do acervo e do redescobrimento da arquitetura do museu

O objetivo central desse projeto é redescobrir a arquitetura original criada por Lina Bo Bardi, que foi se perdendo com as várias adaptações dos espaços do museu para cada mostra. Foram sendo colocadas como que camadas de falsas paredes e divisões de espaços que originalmente não existiam e a transparência de vidros foi ocultada. Agora, durante o MASP EM PROCESSO, algumas dessas camadas já estão visivelmente retiradas e grandes envidraçados, antes escondidos, clareiam espaços no museu.

No primeiro andar, o MASP EM PROCESSO exibe obras que não são expostas ao público com freqüência. A sala já está completamente sem paredes internas e fornece uma visão muito agradável ao entrar nela. À direita a parede está completa com obras de vários artistas, épocas e territórios. Na parede esquerda (de quem entra) é possível acompanhar a continuação da montagem da exposição, com a colocação de mais obras, aparentemente separadas por retratos individuais. Em breve poderemos ver obras arte expostas nos icônicos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi, como no início das atividades do museu.

Como as mudanças no museu estão sendo realizadas à vista do público, exposições mais antigas de parte do acervo seguem em sua apresentação tradicional. Uma exposição já em exibição desde 2010, “Deuses e Madonas – A Arte do Sagrado” era a mais concorrida pelos visitantes. São 40 obras-primas do acervo do museu, a maioria do século 14 ao 19, de artistas como El Greco, Botticelli, Tintoretto e Rafael.

Outros serviços no MASP

No MASP há uma cafeteria, localizada no primeiro subsolo, com algumas mesinhas para um lanche rápido. Bem ao lado fica a loja que, em relação às lojas de outros museus da cidade, é pouco sortida e não tem as deliciosas lembrancinhas.

O melhor espaço de serviços do MASP é o restaurante, que fica no segundo subsolo. As portas abrem Às 11:30hs, um bom horário, e fecham às 15 horas. Sábados e domingos o funcionamento é das 12h às 16h e aceitam reservas. O acesso até ele já revela tapumes sendo retirados e pelas vidraças é possível ver muita luz e o verde do Parque Trianon.

Voltando ao restaurante, o funcionamento é com esquema de self service, tendo incluso buffet de saladas, pratos quentes e sobremesas. O atendimento é regular apesar dos funcionários mostrarem boa vontade, penso que talvez por serem em pequeno número. O cafezinho é fundamental e foi muito bem servido. Quanto ao espaço, achei confortável e relaxante e há um simpático recipiente de vidro na saída onde cada um pode deixar seu cartão de visitas, com direito ao sorteio de refeições grátis. Não deixe de levar o seu. O buffet, com refrigerante e claro, o cafezinho, saiu por R$ 51,40, mais em conta que outros restaurantes de museus que visitei.

Obras do Anexo do MASP

A limitação dos espaços no edifício do MASP para possibilitar ampliação de suas atividades como cursos, laboratório de restauro e atelier, exposições de esculturas ao ar livre, fez com que o MASP adquirisse o edifício bem ao lado, no quarteirão seguinte. É um abandonado prédio de apartamentos, de 20 andares, o Dumond-Adams, na esquina da Avenida paulista com a rua Professor Otávio Mendes. Poucos detalhes são fornecidos, mesmo pelos funcionários, mas é divulgada a participação de recursos da empresa de telefonia VIVO na aquisição do edifício destinado a acomodar o Anexo do MASP.

Obras da reforma e ampliação do edifício já podem ser vistas da rua, e no site do MASP é possível ver maquetes e ler, por exemplo, que no topo do novo edifício haverá um espaço cibernético com cafeteria, computadores com acesso à internet e conexão wi-fi e um observatório da região do Parque Trianon. Não vejo a hora de conferir e viver mais um pouco dos detalhes do MASP!

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