Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa: escultura de Tomie Ohtake

No canteiro central de uma das avenidas de maior movimento da cidade de São Paulo está o Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa. O Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa foi criado por uma encomenda da Comissão Municipal dos Festejos do 80º Aniversário da Imigração Japonesa à artista plástica Tomie Ohtake.
A obra, com suas grandes proporções, foi inaugurada no dia 10 de novembro de 1988 e logo se tornou um dos cartões postais da cidade.

Em 18 de junho de 1808 chegaram ao porto de Santos os primeiros imigrantes japoneses vinculados ao acordo estabelecido entre Brasil e Japão a bordo do navio Kasato Maru, para trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Foi essa chegada que deu início a um fluxo contínuo de imigração de japoneses para o Brasil.

Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa: características

O monumento é composto por quatro grandes lâminas de concreto armado em forma de ondas que se elevam do chão, dispostas lado a lado e sucessivamente e bem próximas umas das outras, para dar à obra uma noção de conjunto e de continuidade.
As lâminas de concreto representam as quatro gerações de japoneses que vivem no Brasil (“nikkeis”). O “issei”, aquele que nasceu no Japão; o “nissei”, filho de japonês; o “sansei”, neto de japonês; e o “yonsei”, bisneto de japonês. A idéia de movimento provocada pelas ondas, segundo o filho Ricardo Ohtake, remete à grande passagem de veículos no local onde foi instalada, na Avenida 23 de maio, na zona sul da cidade. Poderiam ser as ondas do mar que trouxe o primeiro navio?
Cada lâmina de concreto tem 40 metros de comprimento, 4 metros de altura e dois metros de largura.

Sobre o material, o concreto foi escolhido por expressar leveza e simplicidade e as cores iniciais iam do violeta ao laranja. O Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa foi patrocinada e executada pela empresa Método Engenharia com a colaboração de mais duas indústrias.

Detalhe que não foi dado à escultura um titulo específico, deixando-a Tomie Ohtake aberta às interpretações e sentimentos de cada observador.

As revitalizações

Originalmente as quatro ondas eram pintadas em látex na parte interna, em tons que iam do violeta ao laranja, com predomínio do amarelo. A parte externa era em concreto aparente.

Informações do Departamento do Patrimônio Histórico – DPH) dão conta de que cerca de um mês depois da inauguração, em 1988 a obra foi pichada em vários pontos. A solução encontrada foi a repintura, inclusive na parte em concreto aparente, para encobrir as inscrições.
Anos depois, por iniciativa da Administração Regional Vila Mariana, cada lâmina foi pintada internamente de uma única cor, em tons de vermelho, laranja e amarelo.
Em 2006, outra repintura foi autorizada por Tomie Ohtake, que, desta vez, propôs um croquis de cores em azul, amarelo e verde. Os serviços foram acompanhados pelo DPH e executados pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, com material doado pela Suvinil.

Como todas as obras expostas ao ar livre o Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa apresentava desgastes e pichações.
No ano 2000, o monumento foi incluído no Programa Adote Uma Obra Artística, da SMC/DPH. Na ocasião, a artista aprovou a repintura do monumento nas mesmas tonalidades.

Em 2010 a pintura mudou de verde, amarelo e azul para novos tons destas cores e um novo tom de laranja.

É o ano de 2017 e a ação do tempo e vandalismo de pichadores descaracterizaram novamente a obra.
Uma parceria entre a prefeitura de São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake e empresas privadas promoveram rápida renovação e recuperação do Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa, cuja cerimônia de entrega ocorreu em 26 de janeiro de 2017.
A limpeza foi feita pela operação municipal Cidade Linda. As novas cores foram assumidas pela empresa holandesa AkzoNobel, responsável pelas tintas Coral. Foi utilizado, “na parte externa das faixas de concreto, a tinta Proteção Sol & Chuva Pintura Impermeabilizante (a película emborrachada e altamente flexível acompanha os movimentos de contração e dilatação da superfície, combatendo e prevenindo fissuras e infiltrações), e, na parte interna, Decora – sempre com acabamento fosco, obedecendo às normas de tombamento”. Quanto às cores, elas são idênticas àquelas escolhidas pela própria autora na restauração da escultura, em 2010: “Dança Típica”, “Laranja do Deserto”, “Céu Esplendoroso” e “Arco Antigo”.
Foi instalada também nova iluminação que reforça as formas onduladas da obra.

“Tomie mudava as cores e decidimos manter o último projeto, que ela acreditava que deixava a escultura mais leve”, explicou Ricardo Ohtake, filho da artista e diretor do Instituto Tomie Ohtake.
A limpeza foi feita pela operação municipal “São Paulo Cidade Linda”.

Sobre Tomie Ohtake

Nascida em Kyoto, no Japão, no ano de 1913, aos 23 anos de idade veio visitar um irmão (Masutaro) que trabalhava em São Paulo. Com a iminência da Segunda Guerra Mundial permaneceu em São Paulo, onde se casou e teve dois filhos, estabelecendo residência no bairro da Mooca. Quando os filhos cresceram o amor e o dom já existente pelas artes veio à tona e sua carreia tomou grande impulso, quando tinha 40 anos de idade.
Tomie Ohtake (1913-2015) transformou-se numa artista plástica que divulgou o Brasil através de suas habilidades na pintura, gravura e grandes esculturas públicas.

Marcam sua produção as mais de 30 obras públicas de grande s dimensões desenhadas na paisagem de várias cidades brasileiras e também no exterior como nos jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e na província de Okinawa, no Japão.
Tomie Ohtake trabalhou até o final de sua vida, aos 101 anos de idade, e esse longo tempo de intensa produção artística lhe permitiu grande divulgação em vida de suas obras.

Localização do monumento

Canteiro central da Avenida 23 de Maio na altura do Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil.

Detalhe que é praticamente impossível alcançar o canteiro onde está instalado o Monumento Oitenta Anos da Imigração Japonesa de forma a não transgredir alguma lei. Contudo, a grande dimensão da obra e sua iluminação noturna permitem admirá-la no transcurso motorizado pelas pistas dos dois lados da avenida. Também pode ser vista a partir de poucas ruas transversais ou do Centro Cultural São Paulo.

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