Monumento ao Ibrahim Nobre, o “Tribuno da Revolução Constitucionalista de 32”

Bem no Parque do Ibirapuera, num belo gramado em frente ao “Monumento-Mausoléu ao Soldado Constitucionalista”, está o Monumento ao Tribuno da Revolução Constitucionalista, Ibrahim Nobre.

O monumento, de autoria de Luiz Morrone, é feito em bronze e mede 2,90m x 1,10m x 0,70m, com um pedestal de granito de 2,00m x 2,00m x 2,40m e foi encomendado por uma comissão formada por advogados, promotores e juízes. A estátua foi inaugurada em julho de 1972 por ocasião das comemorações do quadragésimo aniversario do Movimento Constitucionalista de 1932, dois anos após a morte de Ibrahim Nobre.

O detalhe do monumento

No interior do pedestal há um detalhe pouco conhecido: punhados de terra de diferentes localidades do estado de São Paulo, colhidas das trincheiras do Vale do Paraíba, da Serra da Mantiqueira, de Cunha, de Buri, das praias do litoral paulista e de outros sítios, foram colocados lá, significando que o homenageado e a “pátria paulista” nunca estarão separados.

O escultor Luiz Morrone nasceu em São Paulo em 1906 e foi um profissional que possui muitas obras pela cidade, criando centenas de estátuas. Faleceu em 1998. Era pai do ator de cinema e televisão Laerte Morrone.

Ibrahim Nobre

O jurista e orador Ibrahim de Almeida Nobre ficou eternizado na história de São Paulo como o “Tribuno da da Revolução Constitucionalista der 1932”. Paulistano, nasceu em 19 de fevereiro de 1888 formando-se pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco de São Paulo.

Foi promotor de justiça em Salesópolis, delegado de polícia nas cidades de Santos e São Paulo e sua admiração pelas ciências médicas levou-o a ser auxiliar nos cuidados de controle da população dizimada pela varíola. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Em 1927 tornou-se um brilhante promotor público em São Paulo.

No ano de 1932 foi sensibilizado pela Revolução Constitucionalista e seus dons de orador colocaram-no nos comícios públicos em favor da defesa de São Paulo. Ibrahim Nobre fazia discursos acalorados e motivadores de incentivo à população para aderirem ao movimento constitucionalista e, na Força Pública (atual polícia Militar), conclamando a tropa para aderir à revolta. Era o tribuno do povo.

Compôs um famoso poema-manifesto endereçado aos paulistas chamado “Minha Terra, Minha Pobre Terra”, que foi publicado no jornal A Gazeta em 25 de janeiro de 1931 e reeditado também pela Gazeta num livreto de oito páginas em 1957, nas comemorações de 25 anos da Revolução. Foi seu trabalho escrito mais significante e representava o sentimento cívico de toda uma população.

Quando ocorreu a luta armada de 1932, Ibrahim Nobre ingressou como soldado raso num batalhão para combater as tropas federais na Frente Sul, terminando preso no Rio de Janeiro. Foi exilado em Portugal e após ser anistiado em 1934 retornou ao Brasil. Seguiu seu trabalho de promotor público, ainda com dificuldades políticas, passando a Subprocurador Geral da Justiça até sua aposentadoria, em 1949.

Várias entidades culturais disputavam sua presença em eventos. Foi condecorado, no Instituto de Engenharia, com a medalha do “Mérito Bandeirante”. Ocupou a cadeira nº 21 da Academia Paulista de Letras, cujo patrono é Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, em 1960. Recebeu o título de Cidadão Emérito do Estado de São Paulo pela Câmara Municipal de São Paulo em 1961.

Faleceu na capital em oito de abril de 1970 e foi sepultado no cemitério de São Paulo com sua velha beca de Promotor, conforme desejo prévio.

Por ocasião das comemorações do 45º aniversário da Revolução Constitucionalista, em 1977 suas cinzas foram transladadas em cortejo fúnebre para o “Monumento-Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32”, onde descansa junto aos demais combatentes e observa a todos, na forma de escultura.

Ibrahim Nobre, um herói no meio de tantos, que se destacou pela oratória que agitou e emocionou São Paulo levando à participação de muitos na defesa dos ideais constitucionalistas. O eterno “Tribuno da Revolução Constitucionalista”.

Trechos de Minha Terra! Minha Pobre Terra!

Início: “És paulista? Ah! Então tu me compreendes!
Trazes como eu o luto em tua alma e lágrimas de fel no coração.
Ferve em teu peito a cólera sagrada, de quem recebe na face a bofetada, o insulto, a vilania, a humilhação”.

Trecho intermediário: “Minha Terra! Minha pobre Terra! Alma desfeita dessa mesma Brasilidade, e que deste, numa permanente renúncia, as mãos, o ouro, o sangue!”

Trecho final:
“Que não há lar livre, em terra escrava!
Meus patrícios!
Olha ! Lá fora estão passando os funerais da nossa geração e do nosso pudor!
E então, Homens!”

4 Comments

  • Parabéns pelo Blog!! Gostaria de saber as fontes que você utilizou para esse texto maravilhoso. Você teria alguma cópia de algum documento pessoal do Dr.Ibrahim Nobre, de sua passagem como Promotor de Justiça? Um cordial abraço. Silvio.

  • Que bom, Silvio Luiz, que acompanha e gosta do blog.
    Quando escrevo sobre monumentos costumo iniciar buscando no catálogo eletrônico do Projeto Monumentos de São Paulo. Lá encontro a descrição de todos os monumentos da cidade.
    No caso de Ibrahim Nobre há vasta literatura devido ao seu envolvimento com a Revolução de 32.
    A visita guiada ao Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista foi sem dúvida uma fonte de informação e inspiração.

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