Memorial da Inclusão: mais que um passeio cultural acessível

O Memorial da Inclusão é um espaço museológico que desenvolve uma narrativa histórica sobre o movimento social da pessoa com deficiência no Brasil e no mundo. O espaço tem como objetivo registrar e resgatar um dos períodos mais importantes da história sociocultural e política do movimento das pessoas com deficiência, que culminou, em 1981, com a criação do Ano Internacional da Pessoa com Deficiência (AIPS), pela ONU.

O Memorial da Inclusão é um programa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e tem por objetivos registrar e tornar pública a história do movimento no contexto maior dos Direitos Humanos e, desse modo, oferecer a perspectiva histórica necessária para que as próximas gerações de pessoas com ou sem deficiência estejam mais bem equipadas para superar o preconceito e perseverar na construção de uma sociedade inclusiva para todos.
O local reúne mais de 700 imagens entre fotografias, documentos e manuscritos, além de áudios e vídeos sobre os principais personagens e eventos que marcaram o movimento social e político das pessoas com deficiência em defesa de seus direitos. Apresenta também as várias iniciativas que viabilizaram conquistas e oportunidades às pessoas com deficiências.
O Memorial desenvolve estudos, debates, pesquisas, simpósios, seminários, cursos e palestras, sempre voltados para a valorização do protagonismo das pessoas com deficiência e o respeito aos seus direitos.
O Memorial da Inclusão de São Paulo é o maior e o mais completo memorial das pessoas com deficiência da América Latina e o pioneiro no Brasil.

Arquitetura e Histórico

Arquitetura:

O Memorial da Inclusão está situado no prédio do antigo Parlatino (Parlamento Latino-Americano) dentro do espaço do Memorial da América Latina, que conta com um complexo de sete edifícios espalhados entre duas praças unidas por uma passarela para pedestres sobre uma via expressa, na zona oeste da cidade.
Patrimônio histórico e artístico do Estado de São Paulo, o Memorial da América Latina foi inaugurado em 1989 com o objetivo de ser um espaço de integração e manutenção das culturas da América Latina e congregar parlamentares de todas as nações latino-americanas no debate de temas e propostas de leis de interesse comum. É um projeto do antropólogo Darcy Ribeiro com arquitetura de Oscar Niemeyer.
O prédio que sedia a Secretaria da Pessoa com Deficiência em cujo andar térreo funciona o Memorial da Inclusão está localizado na Praça da Sombra do conjunto arquitetônico do Memorial da América Latina. O prédio foi construído numa área circular de 6500 metros quadrados com 40 metros de diâmetro e foi projetado para possuir características simples e funcionais, não contando com elevadores. Com superfícies de concreto e vidro negro, a obra é um volume cilíndrico de grande porte que foi concebido posteriormente ao restante do conjunto arquitetônico do Memorial da América Latina.
Polêmicas à parte, o belo edifício concebido com o fim de sediar o Parlamento Latino-Americano e cumpriu sua função original até 2007 e após curto período o espaço foi então ocupado pela Secretaria da Pessoa com Deficiência, não menos nobre que a primeira função.

Histórico:

O Memorial da Inclusão, órgão da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foi inaugurado em 03 de dezembro de 2009, data que celebra anualmente o Dia Internacional de luta das Pessoas com Deficiência, com a exposição permanente “Os Caminhos da Pessoa com Deficiência”. A exposição agrupa fotografias, documentos, manuscritos, áudios e vídeos sobre os personagens e eventos que marcaram o movimento social e político das pessoas com deficiência em defesa de seus direitos, no contexto maior dos direitos humanos.
Em março de 2011 ocorreu o lançamento do Memorial da Inclusão virtual e a inauguração da primeira exposição temporária com a exibição de 13 peças do Museu Afro entre instrumentos musicais, máscaras africanas e uma estatueta, adaptados para tornarem-se acessíveis às pessoas com deficiências físicas e sensoriais.
Dentre outras ações, destaca a realização entre 19 e 21 junho de 2013 do evento Conflitos, Direitos e Diversidade – I Simpósio Internacional de Estudos Sobre a Deficiência, que contou com a participação de pesquisadores na área da deficiência de todo o Brasil e do Exterior.
Em 2014 foi produzido o documentário “Da invisibilidade à cidadania: os caminhos da pessoa com deficiência”, em parceria com a Fundação Padre Anchieta – TV Cultura.
O Memorial da Inclusão também realizou o curso Direitos da Pessoa com Deficiência: “Diversidade Humana e Igualdade”, cuja finalidade foi sensibilizar dois mil agentes públicos de âmbitos estadual e municipal para que desempenhem suas atividades de modo a respeitar e divulgar os direitos das pessoas com deficiência.

Detalhe: Inspirado na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o Memorial da Inclusão reconhece:
“…que a deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.”

Visitando o Memorial da Inclusão

O “Memorial da Inclusão: Os Caminhos da Pessoa com Deficiência” oferece visitas mediadas para professores, crianças, jovens aprendizes, visitas autônomas e grupos em geral.
Para atender ao público, a exposição oferece diversos recursos de acessibilidade. Para as pessoas cegas ou com deficiência visual, há piso tátil, material em braile, tipos ampliados e áudio, através de tubos sonoros acionados por sensor de presença.
Para pessoas com deficiência auditiva e surdas, além das visitas agendadas poderem ser acompanhadas por mediador versado na língua brasileira de sinais, o conteúdo textual expositivo é acompanhado com vídeolibras e os vídeos presentes na exposição são legendados.
Para pessoas com mobilidade reduzida ou com deficiência física, o acesso ao Memorial da Inclusão possui rampas e o espaço de circulação externo e interno é plano e amplo. Há elevadores e sanitários adaptados.
Para público com deficiência intelectual, a mediação é realizada com base na leitura facilitada, que adapta o discurso expositivo para uma linguagem mais lúdica e sensível.
Nossa visita foi acompanhada por explicações de uma cordial educadora, interessada e envolvida com o Memorial. O espaço claro e calmo transmite sensação de otimismo e coragem.
O Memorial da Inclusão conta com 12 ambientes compostos por painéis com logotipia recortada e aplicada em alto relevo, assim como piso tátil e tubos sonoros que descrevem o conteúdo dos painéis às pessoas com deficiência visual. O espaço contempla, por meio de fotografias, documentos, manuscritos, áudios e vídeos, a história sócio-cultural e política do movimento de luta das pessoas com deficiência, iniciado nos anos de 1980. Destacam-se os registros que tratam dos sentidos na comunicação. Há vídeos com depoimentos; exemplos de países que aderem à educação inclusiva; registros de campanhas destinadas às pessoas com deficiência; leis que tratam do direito das mesmas e exemplos de atletas que superaram a deficiência e conquistaram seu espaço na sociedade.
Há ainda um ambiente temático de destaque, a Sala dos Sentidos, um espaço sensorial desprovido de iluminação, com objetos e painéis de diversas texturas distribuídos ao longo das paredes. Além dos objetos, a sala possui sons, onde os visitantes são convidados a experimentar e refletir sobre os sentidos (tato, visão, audição).

O Memorial da Inclusão apresenta as exposições sobre quatro formas: permanente, temporárias, itinerantes e virtual (www.memorialdainclusao.sp.gov.br), sendo que a visita virtual está disponível em português, inglês e espanhol. No caso das exposições temporárias, estas são concebidas a partir de uma política de “curadoria inversa”, onde uma pessoa ou grupo da sociedade civil apresenta a proposta de exposição. No caso das fotos apresentadas neste post a exposição temporária era “Cultura Popular e Diversidade Corporal no Folclore Brasileiro”. Muito interessante, mostrava em xilogravuras, vídeos explicativos e muita cor vários personagens folclóricos com corpos diferentes, o que tendia a aguçar a curiosidade para a exploração das possibilidades e das percepções corporais. A reflexão sobre a importância de uma sociedade mais inclusiva mostrava personagens como o Saci, um garoto negro e travesso, de uma perna só ou o Curupira, um homem com nanismo com o corpo revestido de pelos, cabelos longos e avermelhados e pés virados para trás.

A exposição Permanente do Memorial da Inclusão está situada no foyer, andar térreo, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em espaço de aproximadamente 750 metros quadrados onde se encontra o acervo de mais de imagens, áudios e vídeos. O destaque é histórico e constantemente recorda que a Memória do Movimento Social das Pessoas com Deficiência no Brasil ganhou força e visibilidade, sobretudo em função do AIPD. Desde então, importantes garantias e direitos na educação, saúde, cultura, acessibilidade, lazer dentre outras áreas foram sendo conquistadas.
Os documentos do acervo provêm de materiais doados por pessoas físicas e suas famílias, pela sociedade civil organizada e por instituições públicas ou privadas.
Ainda podem ser acompanhadas dezenas de depoimentos e entrevistas no Projeto Memórias, totalizando mais de 200 horas de gravação.
Durante a visita você passará por diversos painéis abordando temas desde movimentos sociais e reabilitação a esportes paraolímpicos e informações sobre a Secretaria.

Detalhe: na sala de exposições existem dois grandes bonecos de pano, Júlia e Rodrigo, que ocupam duas cadeiras de rodas. Entre eles há uma cadeira de rodas vazia. Rodrigo tem óculos escuros e usa bengala (que não estava com ele em minha visita). Durante principalmente as visitas em grupo as pessoas são convidadas a sentar na cadeira vazia ou praticar alguma atividade com os olhos vendados. Fui informada que as reações à solicitação são as mais diversas, mas que sempre exercem um impacto.
É por esses motivos que a visita ao Memorial da Inclusão vai além de freqüentar um espaço museológico com muita informação em espaço relativamente pequeno e completamente acessível a todos, mas acorda o visitante para as inúmeras possibilidades de construção de uma sociedade inclusiva.

Logo do Memorial da Inclusão

 

Memorial da Inclusão

A imagem é de uma espiral azul que traz o desenho de uma borboleta colorida no fim de uma das pontas. Ao lado direito está escrito Memorial da Inclusão Os Caminhos da Pessoa com Deficiência. Objetiva exemplificar o espírito da exposição, para quem a história é uma mudança constante: “A transformação da crisálida em borboleta simboliza o sucesso de rompimento do seu próprio casulo, o que requer muita energia. A espiral, na trajetória e nas antenas da borboleta símbolo do Memorial significa que esse processo é pessoal e intransferível e simboliza o protagonismo das pessoas com deficiência em defesa de seus direitos de cidadania. O colorido e o desenho assimétrico das asas remetem à diversidade humana e à variedade das deficiências, suas demandas e potencialidades.

Virada Inclusiva: fim de semana com lazer e inclusão

Virada Inclusiva

Iniciada em 2010, a Virada Inclusiva é uma ação coordenada pelo Memorial da Inclusão para comemorar o Dia Internacional de Luta das Pessoas com Deficiência, em geral ocorrendo no fim de semana próximo a essa data. A Virada Inclusiva Incentiva e possibilita que pessoas com e sem deficiência possam estar juntas em ações inclusivas em todos os espaços públicos vivenciando centenas de atrações simultâneas pelo estado de São Paulo.
A cor símbolo é a cor “flicts”.

Serviço

Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 – Barra Funda – São Paulo – SP. Próximo da Estação Palmeiras – Barra Funda do Metrô e CPTM e Terminal de ônibus Barra Funda
Datas e horários: segunda a sexta-feira das 10h às 18h
Sábado das 13 às 17 h
Domingo: fechado
Informações: telefone (11) 5212-3727 / 3700
Indicação: Livre
Entrada: Gratuita
Agendamento de visita mediada para grupos acima de 10 pessoas pelo e-mail: memorial@sedpcd.sp.gov.br

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