Farol Santander: novo mirante e o mesmo edifício icônico Altino Arantes. Dicas para visitação

Farol Santander é o nome do antigo “prédio do Banespa” ou “Banespão”, o mesmo edifício icônico Altino Arantes. Sim, o edifício tão conhecido como o tradicional terceiro histórico edifício mais alto da cidade abriu suas portas novamente após dois anos de reestruturação preparando-se para receber paulistanos e turistas de todo o mundo que desejam admirar São Paulo do alto.

Patrimônio de São Paulo, o edifício Altino Arantes começou a ser construído em 1939 sendo inaugurado em 27 de junho de 1947, surgindo como um símbolo da prosperidade econômica e política do Estado de São Paulo, num projeto de modernidade urbana vertical. Com seus 161,22 metros de altura e 35 andares foi o edifício em concreto armado mais alto de todo o hemisfério sul, até o ano de 1965, sendo então superado pelo Edifício Mirante do Vale em 1960, com 170 metros. Após a edificação do Edifício Itália passou a ser o terceiro mais alto de São Paulo.
O arquiteto que desenvolveu o primeiro projeto do “arranha-céu” que abrigaria a sede do Banco do Estado de São Paulo foi Plínio Botelho do Amaral, mas durante a construção ele acabou sendo afastado devido a problemas na fundação. A obra passou então a ser conduzida pela construtora Camargo & Mesquita, que já trabalhava nas obras de estrutura e alvenaria e que trouxe mudanças ao projeto como a inclusão do grande farol no topo do prédio. Em estilo arquitetônico art déco e todo construído em concreto armado, o prédio foi inspirado em edifícios icônicos norte americanos, em especial o Empire States Building.
A construção sofreu atrasos durante o período da segunda guerra mundial, pois grande parte do material era importada da Europa.

Símbolo de um período de euforia econômica, o Edifício Altino Arantes marcou a transformação da cidade de São Paulo em grande centro financeiro após a prosperidade do setor cafeeiro. Agora, após mais de 70 anos de sua inauguração continua marcando a arquitetura da cidade. Seu nome homenageia Altino Arantes, o primeiro presidente do Banco Banespa, comprado pelo Banco Santander no ano 2000.
A tão aguardada reinauguração como ocorreu dia 25 de janeiro de 2018, como Farol Santander e as portas foram abertas ao público no dia seguinte, 26 de janeiro de 2018.
Em 2014, sua importância como patrimônio foi reconhecida através do tombamento pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, que se aplica a parte do prédio: saguão, caixa-forte, alguns andares onde originalmente situavam-se o salão nobre e as dependências da presidência e diretorias (2º, 3º, 5º, 6º,) e, claro, o Mirante.

Dicas para programar sua visita

O Farol Santander/Edifício Altino Arantes possui 35 andares, nem todos eles expostos à visitação. Didaticamente a visita está dividida em três grupos de andares: Memória, Experiências e Exposições, cada um ocupando vários andares.

Organizando a visita

– Adquirindo os ingressos e programando a visita
Os ingressos para a visitação podem ser adquiridos no próprio edifício ou também pela internet. Sugiro que sejam adquiridos com antecipação (Ingressorápido.com.br) principalmente se sua visita for ocorrer aos finais de semana, quando o movimento local é ainda maior. Como os ingressos são programados para cada 15 minutos e a visita sugerida é de 40 minutos, não é difícil adquirir no local para o próprio dia.

O que visitar?

Como a visita ao Farol Santander está dividida em três grupos de andares, “Memória, Experiências e Exposições”, há ingressos para meia visita, onde você poderá admirar São Paulo a partir do mirante e para visita inteira, sendo que o hall do térreo tem acesso livre inclusive para fotos. A classificação etária é livre.
Os valores no momento deste post partem de R$ 10,00, com desconto para clientes Santander. Há meia entrada para estudantes, maiores de 60 anos, professores da Rede Pública Municipal e Estadual de São Paulo, portadores de necessidades especiais e crianças de 2 a 12 anos.

Dicas: Faça a visita inteira, que dá acesso a todos os andares visitáveis e programe um tempo de pelo menos 1 hora e meia. O espaço é muito organizado, bem sinalizado, com equipe humana excelente e cada andar conta uma parte da história das atividades do Banco Banespa e da própria cidade, que valem muito à pena. O mirante coroa a visita mostrando grande parte de São Paulo em toda sua imponência de hoje e você vai desejar olhar e fotografar cada canto da cidade.

Fotos são permitidas em todos os espaços

Leve uma malha adicional mesmo em dias ensolarados, pois no alto do edifício há um vento frio.

Iniciando a visita

Sempre sob orientação, a visita segue a ordem ascendente do prédio, com elevadores com ascensorista ou escadas disponíveis. Embora esse seja o caminho natural por onde será guiado, é possível subir ao mirante a qualquer momento se terminar seu tempo disponível ou se, como em minha visita, quiser fazer uma pausa para o café do mirante. A visita poderá ser retomada no sentido descendente.

Espaço Memória

Hall do Térreo
O Hall do Térreo pertence a esse espaço. Nele é destaque o grande painel com projeções sobre atividades e exposições do momento e o famoso lustre do Banespa. O lustre, que já podia ser visto no antigo “Banespão”, tem 13 metros de puro cristal com 10 mil acessórios do material, 150 lâmpadas e peso de uma tonelada. Sua instalação data do ano de 1988.
Dica: Não deixe de observar os folders com detalhes sobre as atividades que existiam em cada andar do antigo Banco Banespa e também olhe para cima e veja o elevado pé direito e os acabamentos da construção.
Repare no piso com detalhes do mapa do Brasil circulado com os dizeres Banco do Estado de São Paulo S. A..

Memória do 2
O segundo andar dá as boas vindas aos visitantes com um belo espaço audiovisual, como que um túnel de espelhos em movimento, onde é projetado um vídeo com a história do edifício e sua relação com a cidade. Esse espaço se fecha para a projeção e não é possível sair antes do término. Observe se tiver algum tipo de anseio embora sejam menos que cinco minutos de projeção.
Ainda no segundo andar há uma galeria fotos antigas e textos que ajudam a localizar o edifício no tempo e importância.

Memória do 3
O terceiro andar apresenta vários ambientes com exposição de mobiliário, objetos e documentos originais que mostram de forma interativa e muito interessante, acompanhada pela identificação de sons, como funcionava o Banco Banespa quando de sua fundação. Lá você poderá ver uma reprodução exata de uma antiga agência bancária e ver como funcionava na década de 50.
Desse andar é possível admirar do alto o lustre do hall de entrada com vista privilegiada.

Vista 360º do 4
O paulista Vik Muniz apresenta uma instalação fotográfica em sete grandes painéis que reproduzem a vista do Mirante sobre um olhar diferente. A obra, agora pertencente ao acervo Santander Brasil foi feita com cerca de quatro toneladas de material reciclado da reforma do próprio edifício, como pregos, arames e capacetes.

Memória do 5
Aqui segue, de forma permanente, a memória do Banco Banespa, agora com o Hall dos Presidentes, todos com suas imagens ricamente emolduradas e identificadas. Você poderá ver o rosto de Altino Arantes Marques, primeiro presidente do Banco do Estado de São Paulo S.A., de 04/11/1926 a 12/11/1930. Identificando sua foto está registrado também Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola de São Paulo 08/05/1923 a 04/11/1926. Esse era o antigo nome do Banco Banespa antes de ser controlado pelo Estado de São Paulo no governo de Altino Arantes.
Segue também exposição de espaços interativos e mobiliário em estilo colonial original conforme foram utilizados pelos antigos diretores e conselho administrativo do banco. Os móveis de jacarandá e a decoração eram produzidos pelo Liceu de Artes e Ofícios, os tapetes pela extinta Manufatura de tapetes Santa Helena e os lustres são de cristal tcheco. Preste atenção na sala do diretor, que possui uma janela com vista para a cidade e cadeiras e sofás forrados em couro.
A dica para este andar é ler cada texto e observar cada detalhe como a belíssima sala de reuniões. Não deixe de parar para ouvir a gravação que reproduz parte de uma reunião com tomadas de decisões financeiras.

Mirante e Café do 26 por Suplicy
Interrompendo a seqüência ascendente no prédio, vamos terminar o grupo de andares referente às Memórias indo ao último andar onde é possível visitação.
Quem conheceu o antigo mirante do Banespão subia até este andar, o 26º, que é o último alcançado pelos elevadores ativados. Depois era possível subir até o 32º andar em outro elevador e então alcançar o 35º andar por uma estreita escada em espiral onde está verdadeiramente o farol. O que mudou no mirante? Tudo. Agora é possível permanecer no mirante, que está dividido em dois lados, pelo período desejado. No mirante, antes da reformulação, a vista era mais próxima dos 360º e obviamente de uma localização mais alta, porém o espaço era muito pequeno e com acesso controlado por um bombeiro, com cinco pessoas por grupo e cinco minutos de permanência no máximo. As informações fornecidas dão conta de que, como o topo é uma das partes tombadas do edifício, não é possível adaptá-lo às medidas de segurança vigentes, estando, portanto, proibida a subida aos andares mais altos.
O mirante é protegido por vidros altos e é repleto de detalhes como marcas vermelhas que dirigem seu olhar a pontos de destaque na cidade como o Mercado Municipal ou o Solar da Marquesa. Uma dica para não perder nada neste espaço especial é não deixar de sentar no nicho com visão privilegiada para o Edifício Mirante do Vale, o mais alto da cidade. Lá tem duas confortáveis cadeiras e uma mesinha de centro e você pode levar seu café para apreciar a vista ao ar livre.
Não deixe também de olhar bem para o alto do prédio onde a bandeira de São Paulo tremula no alto do farol.

O espaço do Café Suplicy fica no mesmo andar e tem uma relação especial com o edifício, que foi construído para ser sede do banco que financiava a atividade cafeeira da época. É decorado com inspiração art-decó da década de 1940, possui espaço confortável para espera e oferece bom café, doces e salgados, além de ótimas refeições. A dica é tomar seu café no mezanino em mesas ao lado de alguma janela por onde poderá ser vista a cidade do alto.

Experiências

Arena do 8
No oitavo andar foi criado um espaço com estrutura para eventos e debates com formato de arena e capacidade para 100 pessoas. No local ocorrem encontros e palestras, sempre aos sábados. Rotineiramente está fechado.
Para consultar programação acesse: https://www.farolsantander.com.br/#/programacao

Pista do 21
No 21º andar foi instalada uma pista de skate idealizada pelo skatista campeão Bob Burnquist, para aqueles que desejam ter uma experiência original de praticar manobras nas alturas.
No local há uma área para descanso, com guarda-volumes, vestiário e chuveiros.
A programação inclui aulas regulares e horárias para livre uso do público, com capacidade simultânea para até 12 pessoas. Capacetes estão disponíveis no local. Para menores de idade os pais devem autorizar a visita.
A hora custa R$30,00, paga à parte do ingresso da visita. A aula particular tem custo bem maior.
Dica: A visitação do andar e observação da pista são livrese pertencem à vista completa.

Loft do 25
No 25º andar há um original apartamento de 400 m2 e pé-direito de 5 metros assinado por um escritório de arquitetura francês com visão 360º da cidade de São Paulo. Poderá ser utilizado para hospedagem com capacidade para 5 pessoas ou eventos para até 30 pessoas. Mas, se você deseja passar a noite dentro de um dos mais famosos e belos cartões postais da cidade com todo o conforto terá que preparar seu bolso, pois aqui sim, o custo é muito elevado. O valor para reserva está disponível no site do Farol Santander.

Exposições

Aqui estão os andares que foram denominados como de arte imersiva, com programação temporária que deve ser conferida no site. O ingresso dá direito a qualquer uma delas.
No momento da inauguração as primeiras exposições ocorreram no 22º e 23º andares.
No 22º está a exposição “Belo, transitório, intangível e finito”, de Laura Vinci, com uma das obras sendo criada especialmente para o Farol Santander. Embora a divulgação fale sobre projeções nas paredes, nenhuma projeção havia quando de minha visita.
A sala do 23º andar foi inaugurada em 2018 com a instalação audiovisual “O dia que saímos do campo”, do coletivo russo Tundra. Belíssima, seus lasers coloridos e paisagens sonoras estão numa sala totalmente escura onde você busca os pontos para permanecer conforme o agrado.
Dica: Pode não dar para ver, mas quando a projeção produz uma iluminação maior você encontrará almofadas espalhadas pelo chão para poder até observar a obra deitado. Deveria ser uma instalação permanente.

O 19º e o 20º abrigam exposições e palestras conforme programação a ser conferida em cada momento. Programação futura também é disponibilizada no site: farolsantander.com.br

E agora, vamos terminar a visita voltando ao mirante?

O Farol Santander, nome atual do antigo prédio do Banespa, mas sempre Edifício Altino Arantes, mudou para poder receber novamente aos paulistanos e a todos com conforto, informação e agora também oferecendo um espaço cultural. Após dois anos fechado para todas as reformas e modernização, a memória do Banespa e de sua importante função de banco quando foi inaugurado está preservada e honrada. A visita oferece condições incomparáveis em relação à que era realizada no “Prédio do Banespa” e a memória desse ícone paulistano está dessa forma mantida e divulgada novamente.

Serviço

Rua João Brícola, 24 – Centro/SP (estação São Bento – linha 1, azul do metrô)
Entrada acessível: Rua João Brícola, 32
Funcionamento: terça a domingo das 9h às 20h
Acessibilidade: Banheiros e elevadores adaptados, rampas de acesso, áudio guias e comunicação em Braile, inclusive com informações nos corrimãos.
Comunicação visual em português e inglês.

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