Falsa-seringueira: a seringueira das ruas de São Paulo

Caminhando pelas ruas da cidade de São Paulo é freqüentemente observada uma árvore que chama a atenção por seu porte majestoso e raízes exuberantes.
Conhecida popularmente como seringueira, essa árvore é na verdade a falsa-seringueira ou figueira.

Características

A falsa-serigueira é uma árvore ornamental originária de áreas tropicais da Ásia, especialmente Índia, Malásia e Indonésia, e existente em grande parte do mundo. Encontrada em praças, canteiros de ruas e avenidas, jardins e até plantada em vasos, essa árvore desenvolve-se bem nas regiões com boa insolação e irrigação embora seja resistente a períodos de seca ou frio.
A altura da falsa-serigueira é variável, porém em nosso meio não alcança seu máximo, atingindo em média 10 a 20 metros. Apresenta tronco curto e calibroso, geralmente irregular e escultural, que chega a dois metros de diâmetro, sendo bastante ramificada desde a base.
O fato do tronco, quando cortada, derramar um látex branco deu origem a seu nome de falsa-seringueira, em nada mais se assemelhando à seringueira verdadeira (Hevea brasiliensis), de origem amazônica.
Detalhe que a seiva leitosa (látex) produzida pela falsa-seringuera é bastante viscosa e tóxica e, portanto, essa árvore não deve ser plantada em locais freqüentados por crianças sem a devida informação e atenção. Quanto a outras características do látex da falsa-seringueira, tanto a quantidade produzida quanto a qualidade são inferiores às do látex da seringueira amazônica que é utilizada como matéria prima para a geração da borracha.

As folhas da falsa-serigueira têm ciclo de vida perene, formato oval ou elíptico, são grandes, lisas e brilhantes e na espécie mais comum, “Robusta”, a coloração é verde oliva. Na face posterior, inferior, apresentam um tom verde menos acentuado. Quando jovens têm a coloração mais clara e são avermelhadas antes de abrir. De consistência firme e com uma forte nervura central, as folhas são dispostas eretas, de forma alterna e com pecíolo bem nítido. Com o envelhecimento as folhas eretas tornam-se horizontais e depois pendentes até sua queda, quando já secas. Cada folha adulta pode medir até 35 cm de comprimento.
A copa da falsa-seringueira é arredondada e impressiona pela dimensão, sendo ótima para fornecer uma boa sombra, como que imitando um guarda-chuva gigante.

Uma das características mais marcantes dessa árvore são as suas raízes. Quando cultivada em espaços abertos produz raízes aéreas, que ao tocarem o solo enraízam e engrossam, produzindo assim troncos auxiliares, que auxiliam na sustentação da grande árvore. Por vezes as raízes aéreas chegam a esconder o tronco devido à sua abundância. As raízes do solo são longas e fortes, podendo romper as calçadas e comprometer tubulações subterrâneas, tornando a falsa-seringueira imprópria para ser cultivada em locais estreitos como calçadas e canteiros de ruas, onde freqüentemente é encontrada.
A originalidade prestada à árvore por suas raízes gerou a expressão de que “cada exemplar é uma verdadeira escultura e não há nenhum igual ao outro”.

Ficha da árvore

Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Moraceae
Gênero: Ficus
Sub-gênero: Urostigma
Espécie: Ficus elastica (F. elastica)
Nomes populares: falsa-seringueira, fícus-italiano, figueira branca, seringueira-de-jardim, árvore-da-borracha, goma-elástica, figueira-branca
Diferente da maioria de nomes populares que se referem a alguma característica dessa espécie, o nome fícus-italiano é originário do fato das primeiras mudas a chegarem ao Brasil terem sido trazidas da Itália.

Por que as falsas-seringueiras estão em locais tão inadequados nos centros urbanos?

A falsa-seringueira foi muito popular na decoração de ambientes internos e externos nas décadas de 1950 a 1970 no mundo todo, incluindo o Brasil. As árvores eram plantadas como mudas, ainda pequenas, e seu poder ornamental tornava-as muito desejadas. Sem planejamento, eram colocadas onde mais poderiam adornar. Como era uma árvore exótica, apenas mais tarde foi sendo observado seu elevado poder de crescimento e de produzir as agressivas raízes. E assim há na cidade de São Paulo árvores que parecem centenárias, mas que em sua maioria foram plantadas no mesmo período mais recente, até a década de 1980.
Atualmente seu plantio é evitado onde as raízes possam trazer algum dano e já é notório que são apropriadas apenas para espaços abertos e grandes como parques ou área rural.
Na cidade de São Paulo há falsas-seringueiras como que “famosas”. Uma espécie muito grande e frondosa com mais de seis décadas existente no canteiro central da Avenida Santo Amaro perto do cruzamento com a Avenida Roberto Marinho, zona sul da cidade, provocou comoção e revolta na população ao ser derrubada para ceder espaço a obras do metro em 2013. Detalhe que a população da região criou inclusive um movimento de pressão, o Movimento Seringueira Livre que utilizou o Facebook para preservar, em vão, a falsa-seringueira evitando que a antiga e bela árvore fosse sentenciada à morte.
Alguns espécimes maiores são bem conhecidos dos paulistanos como uma árvore muito alta existente no Parque da Água Branca e também outra no Parque do Ibirapuera, locais muito visitados em São Paulo. Nos jardins internos do Instituto Biológico também estão plantadas grandes árvores dessa espécie, sendo que todo o espaço dos jardins é tombado.
Nas fotos deste post a grande árvore observada num canteiro central é a mais bela que conheço, por seu porte imponente, copa perfeita e ornamental, criando como que um túnel simétrico e aconchegante para os automóveis nas duas mãos da Avenida Santo Amaro.

Seringueira amazônica para não confundir

Durante 150 anos o Brasil foi o maior exportador de borracha do mundo, perdendo o posto devido a fatores como contrabando, concorrência asiática, pouco investimento empresarial e governamental e técnica de plantio com necessidade de árvores espaçadas para evitar umidade, o que gerava uma produção insuficiente para a crescente demanda. Detalhe que atualmente o Brasil responde por apenas 1% da produção mundial de borracha natural, feita a partir da coagulação do látex da Hevea brasiliensis, e São Paulo responde por 34% desse produto.
Nas décadas de 1880 a 1915 o Brasil passou pelo importante “Ciclo da Borracha”, quando a comercialização da borracha levou a região norte do Brasil a um desenvolvimento sem igual. A cidade de Belém do Pará se tornou a quinta cidade mais desenvolvida do país e Manaus exibe até hoje a lembrança de seu período de riqueza com construções imponentes como o famoso e simbólico Teatro Amazonas.
Detalhe que com a necessidade de gerar um produto universal de menor custo econômico e de fácil obtenção existe hoje a borracha sintética industrial, derivada do petróleo. A utilização da borracha natural, contudo, ainda é necessária em alguns produtos, por tem uma estrutura mais estável e elástica, maior resistência ao calor e a mudanças buscas de temperatura. Pneus aeronáuticos, produtos cirúrgicos como luvas e cateteres e calçados, por exemplo, são confeccionados com borracha natural.

Voltando, contudo, à falsa-seringueira, podemos dizer que de falsa não tem nada sendo sim, uma figueira com características únicas.

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