Cripta do Pateo do Collegio: Cripta Tibiriçá

A Cripta do Pateo do Collegio é a cripta mais antiga de São Paulo e abrigou o primeiro cemitério da cidade.
Sua história se inicia com a fundação de São Paulo, quando os jesuítas partiram do litoral seguindo trilhas indígenas, chegaram ao Planalto de Piratininga e construíram o primeiro colégio com a finalidade de catequizar os povos indígenas que lá viviam. O local era apenas uma cabana de pau-a-pique de cerca de 90 metros quadrados.

Em 25 de janeiro de 1554 o Pe. Manuel de Paiva celebrou a primeira missa oficializando a fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, auxiliado pelo Pe. Afonso Brás e pelo irmão José de Anchieta, sendo esse evento histórico retratado nas mais diversas modalidades de arte, pois foi o exato local de nascimento do embrião da vila de São Paulo. O nome São Paulo foi dado em homenagem ao santo católico comemorado nesse dia, o dia da conversão de Paulo Apóstolo.

Logo houve necessidade de uma igreja, que foi construída ao lado do Colégio e concluída em 1956 e recebeu o nome de Igreja de Bom Jesus. A técnica construtivista seguiu o que era utilizado na época, taipa de pilão, que consistia em socar a terra úmida em um pilão e adicionar fibras vegetais, areia, estrume, óleo de baleia e por vezes sangue de animal até a mistura atingir uma massa uniforme para preencher estruturas de madeira armadas como formas, os taipais. Após a massa estar completamente seca as tramas de madeira eram retiradas.

O local do Pateo do Collegio, situado num terreno de 2.805 metros quadrados, passou por muitas mudanças ao longo do tempo, demolições, reconstruções e vários usos, porém para situar a criação da Cripta devemos saber que desentendimentos com poderes dos bandeirantes implicaram em posições diversas em relação à convivência com os índios e fizeram com que o jesuítas fossem expulsos em 1640 do local que construíram. Eles só retornariam no ano de 1653 pela influência do bandeirante Fernão Dias Paes Leme.

O abandono havia feito grandes estragos no Colégio que precisou ser quase todo reconstruído pelos jesuítas, o terceiro Colégio, ainda com técnica de taipa de pilão.
Dessa construção nasceria a primeira cripta de São Paulo. Em 1680 houve a construção dos alicerces de pedra apiloada para a nova igreja dos jesuítas e o traslado dos corpos encontrados sob o altar da igreja para uma vala única, ainda na igreja.

A Companhia de Jesus, à qual pertenciam os jesuítas, tinha como norma seguir o hábito de sepultar seus padres e também autoridades no próprio espaço, que inicialmente ocorreu no interior da Igreja de Bom Jesus. Isso era um sinal de distinção social. A mesma Companhia ordenou então, em 1757, a construção de uma cripta, uma galeria subterrânea sob a igreja para guardar em definitivo os restos mortais dos jesuítas.

Dois anos após a construção da cripta os jesuítas foram novamente expulsos do Brasil e o Colégio foi utilizado como Palácio dos Governadores. A igreja abandonada desta vez desabou e a Cripta foi fechada. Os corpos enterrados tiveram que ser transferidos para outras igrejas e cemitérios.

Um espaço tão pequeno no planalto e uma história com muitas reviravoltas!
O sítio histórico da fundação de São Paulo foi novamente devolvido aos jesuítas como parte das comemorações dos 400 anos de São Paulo em 1954 e a Cripta foi reaberta em 1979 sobre os alicerces de pedra originais da antiga igreja.

Novamente ocorreram demolições e o espaço definitivo e garantido pelo tombamento como sítio arqueológico abriga agora réplica das construções antigas do Colégio (agora Museu Pe. Anchieta) e Igreja (agora Igreja do Beato Anchieta). A Cripta, porém, conforme originalmente construída está em seu lugar abrigando a memória dos que lá estiveram e sofrendo com o tempo e as modificações urbanas como construção do metro, que abalaram sua estrutura firme.

O Pateo do Collegio é referência fundamental da fundação da cidade de São Paulo e, apesar da boa sinalização indicando as instalações do amplo e multicultural espaço, a Cripta Tibiriçá é a parte menos conhecida pelos paulistanos.

Conhecendo a Cripta

A Cripta Tibiriçá, mais conhecida como Cripta do Pateo do Collegio, agora não possui mais qualquer resquício da função original de cemitério.
A Cripta é o único detalhe preservado da construção original do século XVII, acompanhada apenas por um pedaço de parede de taipa de pilão da década de 1650 que pode ser admirado (e fotografado) por trás de uma vitrine de vidro na cafeteria do Pateo.
Consta que data de 1560 o registro mais antigo de uma pessoa enterrada no local que foi a índia Bartira, cujo nome cristão era Isabel Dias, filha do cacique Tibiriçá com a índia Potira e casada com o português João Ramalho.

A Cripta Tibiriçá foi aberta ao público no ano de 2002 como sala de exposições do Museu Anchieta, sendo possível descer e visitar esse incrível espaço mediante algumas condições que apresento aqui.
1. As visitas são obrigatoriamente monitoradas.
2. Não é necessário agendamento, mas os horários são fixos de hora em hora e estão expostos em local bem visível.
3. O tempo máximo de permanência no interior da cripta é de 25 minutos.
4. É expressamente proibida (e vigiado) a realização de qualquer tipo de foto ou vídeo como uma medida de segurança e conservação por isso as fotos do interior da Cripta foram extraídas do site do Pateo do Collegio e de uma reportagem da TV Cultura.
5. Detalhe que a temperatura é confortável dentro da cripta.

A Cripta não é muito ampla, possui iluminação indireta e abriga obras permanentes ou temporárias, funcionando com espaço expositivo. Ali poderão ser vistos vários instrumentos e utensílios usados pelos indígenas.
Posso dizer que em minha visita havia poucas pessoas e que a guia local que nos acompanhou estava mais preocupada em controlar possíveis fotos e terminar a visita do que propriamente explicar. Muito mais poderia ser mostrado e com mais envolvimento. Voltarei para poder admirar melhor a primeira cripta de São Paulo.

Detalhe que o nome da cripta homenageia o cacique tupi Tibiriçá, considerado o primeiro índio do Brasil a ser convertido ao catolicismo e batizado por José de Anchieta e Leonardo Nunes. Líder indígena importante, Tibiriçá foi o intermediário entre brancos e índios nos primórdios da colonização ajudando a construir o Colégio de São Paulo. Seu nome de batismo cristão foi Martim Afonso em homenagem ao fundador de São Vicente. Seus restos mortais encontram-se agora na cripta da Catedral da Sé.

Local

O Pateo do Collegio é atualmente palco de atrações, exposições e festividades em várias datas representativas sendo especialmente lembrado em cada dia 25 de janeiro, quando se comemora a fundação de São Paulo.
Neste ano de 2018, como parte das festividades de 25 de janeiro será inaugurada a mostra “Amar e Viver São Paulo”, que reúne 30 pinturas em estilos diversos onde a artista plástica Nilda Cruz retrata flagrantes da cidade cobrindo o período de 1984 a 2018.

Endereço: Largo Pateo do Collegio, 2 – Sé – São Paulo – SP
Telefone: (11) 31056899

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