Capela do Morumbi

A Capela do Morumbi faz parte do Museu da Cidade de São Paulo, que é composto por 13 conjuntos arquitetônicos de interesse histórico construídos a partir do século XVII até o século XX e administrados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da Prefeitura de São Paulo. O intuito da preservação da Capela do Morumbi é de manter a memória das técnicas construtivas dos séculos passados.

A Capela do Morumbi não tem data precisa de construção e o documento mais antigo encontrado data de 1825, situando suas ruínas como parte da antiga Fazenda do Morumbi, não havendo outros dados documentais sobre ela. A atividade local era o cultivo do chá.

Do ponto de vista histórico são três as interpretações dadas para as ruínas de taipa de pilão encontradas no terreno da antiga fazenda, sobre as quais foi terminada a construção da Capela do Morumbi. Segundo informações do próprio Museu alguns as interpretaram como sendo de uma capela consagrada a São Sebastião dos Escravos. Outros afirmam que seriam de uma capela-sepultura destinada aos proprietários da fazenda, que teve sua obra interrompida. Há também a hipótese de que de que seriam simplesmente ruínas de um paiol.

Com a expansão da cidade de São Paulo no início do século XX seus territórios foram sendo delineados por tipos de atividades e grupos sociais, dando origem a loteamentos de elite como o local onde foi implantada a Fazenda do Morumbi pela Cia. Imobiliária Morumby.

Em meados do século XX, visando atrair compradores e valorizar o terreno da fazenda, a imobiliária contratou o arquiteto Gregori Warchavchik, um dos pioneiros da arquitetura moderna no Brasil para fazer o restauro da casa-sede e a reconstrução das ruínas da Capela do Morumbi. Warchavchik interpretou as ruínas de taipa de pilão do século XIX como sendo de uma antiga capela, completando a edificação com alvenaria de tijolos em estilo modernista.
Foi também convidada a pintora Lúcia Suanê para realizar um afresco nas paredes do batistério da Capela do Morumbi. Nelas está representada a cena do batismo de Cristo, com anjos originalmente desenhados com fisionomia de índios. Os afrescos dos anos quarenta já foram recuperados pela artista plástica, porém, pouco conservados, necessitam nova recuperação.

A Capela do Morumbi ficou fechada sob propriedade da Cia Imobiliária Morumby até 1975, quando foi transferida para o município. A partir de então a Capela do Morumbi passou a abrigar atividades culturais como exposições temporárias e pequenos concertos musicais. A partir de 25 de janeiro de 1980 a Capela do Morumbi foi aberta ao público e começou a receber eventos culturais e expositivos, após passar por obra que transformou a parte central da capela em sala expositiva e de espetáculos culturais Em 1991 passou a sediar projetos de arte contemporânea com projeto da historiadora e crítica de arte Sônia Salzstein.

Características arquitetônicas e a Taipa de Pilão

A parte mais antiga, as ruínas da Capela do Morumbi, foi construída no estilo tipa-de-pilão, também conhecida como taipa-de-sopapo, taipa-de-sebe ou barro armado. A taipa de pilão caracterizou todas as construções paulistas dos séculos XVI, XVII, XVIII e primeira metade do XIX, numa persistência cultural decorrente, sobretudo, do isolamento causado pela dificuldade de transposição com materiais pela Serra do Mar.
Essa técnica construtiva tem origem árabe tendo sido trazida ao Brasil pelos colonos portugueses. Considerando que, em sua origem, as construções em taipa eram rurais em sua maioria, poucos são os remanescentes dessa arquitetura que resistiram às transformações urbanas.

A técnica de taipa de pilão, conforme descrito na própria Capela do Morumbi, ”consiste basicamente em construir paredes com terra socada a pilão, cuja mistura se compõe de argila e materiais vegetais, animais e minerais, como estrume, sangue de boi, seixos ralados entre outros”. Dentro de uma armação de madeira chamada taipal é colocado o barro que será comprimido e disposto em camadas para formar as paredes.

A taipa utilizada para a construção da Capela do Morumbi apresenta uma característica única denominada “taipa de formigão”, que resumidamente utilizou na mistura grande quantidade de pequenos seixos rolados em técnica original que conferiu melhores condições de estabilidade e textura. As paredes da capela são muito espessas tendo em média 40 cm de espessura.

A segunda parte da obra da Capela do Morumbi, realizada por Gregory Warchavchik, visou reconstruí-la e finalizá-la mantendo a tradição da taipa e deixando-a como sustentação para a parte restante das paredes e telhado, feita em alvenaria e tijolo. O arquiteto desenvolveu o projeto com feição religiosa: do lado externo, ele projetou uma torre lateral com lugar para sino e telhado de duas águas com um pequeno beiral. Instalou também uma cruz no topo da construção.

Tombamento

A edificação histórica e cultural Capela do Morumbi teve tombamento integral pelo O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) em 23 de dezembro de 2005, incluindo a preservação dos muros de taipa de pilão, os acréscimos inseridos na década de 1950 e os afrescos feitos pela artista plástica Lúcia Suanê.

Arte à Mão Armada

A instalação apresentada nas fotos integra a mostra “Arte à Mão Armada” da artista Carmela Gross, apresentada pela primeira vez em 1992. Presos no teto por fios de náilon, setenta fragmentos esculturais desiguais formadas de madeira, alumínio e tecido envolto em parafina são apresentados no lugar de santos ou altares.
As alturas são escalonadas por fileiras, de modo a simular visualmente um plano inclinado em relação ao solo da capela, a mais baixa com 0,20 m e a mais alta com 1,775 m.

Visitas /Serviço

Endereço: Av. Morumbi, 5387 – Morumbi – zona Sul – São Paulo
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h.
Tel.: (11) 3772-4301
Entrada franca
Visitas monitoradas

Detalhes e dicas

1. Embora no site da Capela do Morumbi seja solicitado agendamento por telefone, quando fui, sem agendamento, prontamente houve recepção pelo monitor. A visita é bem explicada e o monitor muito atencioso, conta com orgulho a história da Capela.
2. Não há serviço de bar, ou loja ou qualquer estabelecimento comercial por perto.
3. O local possui banheiros
4. Se puder ir de condução coletiva será melhor. Se for de automóvel é necessário saber que não estacionamento na Capela do Morumbi ou por perto, nem local na rua onde seja permitido ou mesmo possível estacionar.
5. Leve máquina fotográfica, pois há muitos e belos detalhes a serem descobertos

A Capela do Morumbi e sua história misteriosa compõe acervo ímpar para a compreensão da arquitetura no Brasil.

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