As tipuanas de São Paulo

Em plena floração nos meses de novembro e dezembro, as tipuanas são as árvores do momento. Se no início da primavera as sibipirunas coloriam a cidade, agora, no meio da estação, a cidade segue com seus tons dourados no céu e no chão com as flores das tipuanas. Embora com menor valor paisagístico que outras árvores como a sibipiruna ou o ipê, a árvore impressiona por seu grande porte e pela alta presença nos caminhos de São Paulo.

De longe apresenta uma copa de tom amarelado e quando estamos próximos, as flores são mais nitidamente notadas. Como já falei, ela é uma árvore freqüente na arborização urbana paulistana e símbolo de alguns bairros mais antigos da cidade como os Jardins, Pacaembu e Alto de Pinheiros. Apesar do crescimento rápido, atualmente tem sido menos utilizada na cidade devido ao grande tamanho e agressividade de suas raízes.

Originária da Bolívia e norte da Argentina, a tipuana (Tipuana tipu), também conhecida como Amendoim-acácia, é uma árvore de clima tropical e subtropical. Pertence à família Fabaceae. Seu nome vem do rio boliviano Tipuani, onde vive no seu vale, uma zona montanhosa e de atividade de mineração. As árvores medem de 10 a 15 metros, podendo alcançar até 20 metros de altura, têm ramos longos e densa folhagem.

Suas folhas são chamadas opostas e imparipinadas e na verdade não são folhas mas folíolos, que são subdivisões das folhas . São mais escuras e brilhantes na parte de cima e mais claras e foscas no dorso.

O tronco grosso e seus ramos irregulares têm superfície rugosa e com fissuras e coloração cinza escura, mas parecem verdes e felpudos porque ficam recobertos por vegetação. Essa vegetação trata-se de uma samambaia epífita nativa, a Microgramma vaccinifolia, ou samambaia-grama, que gosta da rugosidade e umidade do tronco da tipuana, porém não causa mal nenhum à árvore, utilizando-a apenas como suporte. Na verdade, quando presentes, deixam a árvore até mais bonita.

As tipuanas possuem madeira frágil e quando mais velhas são muito susceptíveis a quebras e à ação de cupins e fungos, podendo oferecer perigo quando descuidadas.

As flores são amarelo-alaranjadas com uma pequena mancha acastanhada na base e agrupam-se em numerosos cachos distribuídos pela copa, dando o aspecto amarelado e iluminado a ela.

As flores amarelas da tipuana “concorrem” com as flores um pouco mais claras das sibipirunas quando se fala em sujar (ou enfeitar) as ruas e calçadas. Contudo, de forma diferente, as flores da tipuana são um pouco maiores e mais facilmente levadas pelo vento e varredura, sem produzir a substância pegajosa das sibipirunas.

Detalhe: as tipuanas de São Paulo estão, em sua maioria, com mais de 50 anos, já que foram plantadas antes dos anos 1950 principalmente pela Cia. City. Essa empresa, fundada em 1912, foi contratada no início do século para projetos de arborização urbana. Urbanistas ingleses criaram os bairros-jardins, como Pacaembu, Jardim Europa e Alto de Pinheiros, daí a alta freqüência dessas árvores nesses bairros atualmente.

Se você se interessou por este post, leia meu texto sobre as flores amarelas das sibipirunas.

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