Aquário Subterrâneo do Parque da Luz

Localizado bem no coração do Parque/Jardim da Luz existe um curioso espaço subterrâneo. Nele está abrigado o pequeno e algo claustrofóbico Aquário Subterrâneo do Parque da Luz aguardando para ser visitado e mostrar por suas janelas esverdeadas as espécies de peixes que lá habitam. Construído na década de 1880 é também o primeiro aquário de São Paulo.

O Aquário Subterrâneo do Parque da Luz está instalado numa espécie de caverna sob o Lago de Diana. Este lago é como que uma ilha com vasta vegetação que possui uma estátua chamada Diana, um lago artificial e o aquário subterrâneo. Completam a paisagem grades decorativas de concreto e metal que imitam troncos e cercam parte dessa ilha e o riacho que passa por entre ela.
O lago apresenta quedas de água sucessivas em dois tanques e os peixes que o habitam são os mesmos que podem ser observados pelos visores do Aquário Subterrâneo do Parque da Luz. Blocos de tijolos cobertos por cimento propiciam um aspecto de rochas da natureza e complementam a paisagem. O acesso ao aquário ocorre por uma pequena e irregular rampa que ronda o lago, possuindo entrada e saída.

De forma diferente de várias instalações do Parque da Luz, aqui pouco está indicado ou identificado e proporcionalmente poucos frequentadores decidem matar a curiosidade ao verem duas entradas para uma caverna subterrânea de pedras artificiais em meio à vasta vegetação escondidas sob uma pequena montanha e um lago. Porém ao entrar você tem uma bela surpresa: os peixes que são vistos na superfície do lago estão lá, muito mais próximos de nossos olhares, mostrando suas cores e movimentos através das oito janelas do aquário.

Um aquário misterioso

O Aquário Subterrâneo do Parque da Luz possui uma misteriosa história ainda pouco conhecida pelos paulistanos.
Desde sua inauguração em 1825 o Parque/Jardim da Luz passou por fases de glória e degradação, tendo recebido benfeitorias em vários momentos bem como alterações em suas dimensões e estrutura. Por 25 anos foi o Jardim Botânico da cidade antes de ser oferecido à população como parque público. Obras de conservação e revitalização devido a períodos de maior abandono também ocorreram em outros momentos.

Inspirado nos simétricos jardins franceses o Parque da Luz era o local de lazer da aristocracia paulistana no século XIX. Foi criado nos moldes dos jardins como o do Palácio de Versalhes em cuja estética predominavam ângulos retos e vegetação tipo arbustiva. No final dos anos 1870 as novas instalações que foram sendo introduzidas passaram a ter nova estética baseada no estilo de influência inglesa, com canteiros agora sinuosos, espelhos d’água e adaptação da vegetação com espécies de árvores importadas. Esse estilo também reproduz elementos naturais de forma estilizada e bela construídos com tijolo e massa imitando rochas e madeira.

No final do século XX, contudo, o Parque da Luz, já tombado pelo Patrimônio Histórico, mostrava total abandono e insegurança. Suas péssimas condições de conservação com degradação acentuada das obras de arte, maus cuidados com a vegetação e pouco poder atrativo e de conforto à população sensibilizaram as autoridades da época que investiram ao redor de 500 mil reais na, até o momento, última grande revitalização do local que teve início em 1999. A reforma foi promovida pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente na gestão do secretário Ricardo Ohtake, arquiteto que aproveitou o momento intervenções na região da Luz e iniciou amplo restauro arquitetônico, paisagístico e botânico no Parque/Jardim da Luz.

Dentre muitas ações ocorreu também a poda de cerca de 500 árvores que prejudicavam o crescimento e a diversidade de outras espécies centenárias bem como o deslocamento de árvores como palmeiras localizadas na região do lago de Diana. O aquário foi descoberto por acaso durante a transferência dessas árvores no ano 2000.

Um buraco foi encontrado e sua escavação com retirada de algumas pedras mostrou uma passagem subterrânea, um túnel feito de tijolos com janelas voltadas para o interior do lago formando o aquário, que tinha seu espaço lacrado com concreto.
Onde hoje estão os vidros dos visores do aquário na época havia tijolos e cimento.
O grande detalhe é que pouco se sabe sobre esse local e não há qualquer registro do fechamento nem mesmo da construção desse aquário. Essa não havia sido a primeira revitalização e nada constava a respeito do aquário apenas era descrita a escultura de Diana. Também não se sabe que espécies de peixe havia anteriormente na época ou quem frequentava o aquário.

O grande detalhe é que pouco se sabe sobre esse local e não há qualquer registro do fechamento nem mesmo da construção do aquário. Essa não havia sido a primeira revitalização e nada constava a respeito do aquário.

As características arquitetônicas observadas no Aquário Subterrâneo do Parque da Luz indicam segundo os estudiosos que é uma construção inglesa do final do século XIX. O estilo arquitetônico do aquário predomina nas obras do Parque da Luz, com estruturas construídas de tijolos, cimento e concreto imitando a natureza por meio da mimetização de lagos, colinas e rios e esse estilo recebe o nome de Paysager.

Visitando o Aquário Subterrâneo do Parque da Luz

O Aquário Subterrâneo do Parque da Luz pode ser visitado no horário de funcionamento do Parque da Luz, de terça a domingo das 05:30–17:45 horas, de acordo com o site.
Endereço: Rua Ribeiro de Lima s.n – Bom Retiro, São Paulo. Telefone (!1) 3227-3545

O acesso é fácil, pois é servido por inúmeros meios de transporte como várias linhas de ônibus, metrô e trem. Há ponto de táxi bem próximo e como se não bastasse, o estacionamento na Pinacoteca, embora com vagas limitadas, é gratuito para automóveis, motos e bikes.

O estado de conservação do parque é bom, há boa limpeza da área, porém a vasta vegetação por vezes torna algumas áreas um pouco escuras pelas sombras. A visita ao aquário deve ocorrer em dias ensolarados para melhor acesso e também aproveitamento da experiência. Sim, é uma experiência e opiniões podem divergir desde um total encantamento pela história do aquário bem como por sua originalidade e estilo único até uma decepção por esperar um maior tamanho ou por observar algumas rachaduras ou vazamentos no corredor. Há visitas guiadas e coordenadas pelo programa Trilhas Urbanas, o que certamente agradará as crianças.
Posso dizer que em mais de uma visita notei adultos de todas as idades por vezes parados em cada “janela” admirando e fotografando os peixes muito demoradamente, aproveitando um local que lhes era agradável.

São referidas pela administração do parque 13 espécies de peixes que habitam o Aquário Subterrâneo da Luz, entre elas o acará, curimbatá, tambaqui, dourado, piapara, tabarana, lambari, piabinha, pacu, piracanjuba e carpas.
Atualmente o aquário é povoado principalmente por pacus, tambaquis, tilápias Saint Peter e coloridas carpas que vivem numa água esverdeada. A cor da água e o embaçamento dos vidros são o obstáculo que existe para uma observação mais agradável, porém não impedem a emoção de caminhar por esse local tão histórico e até sombrio e seguir os espertos peixes pelos oito visores do aquário.
Ainda é possível ver uma janela fechada com tijolos e ler sobre sua história num texto colocado ao lado pela Prefeitura, digitado em papel e protegido por plástico pouco vistoso. Nele está escrito: “Em 2000, durante obras de revitalização foi encontrado no Jardim da Luz um aquário subterrâneo, sob o espelho d’água localizado nas proximidades do lago cruz de malta. A descoberta resultou em uma surpresa muito agradável tanto para os funcionários do Jardim como para a população que o freqüenta”. Ao lado do texto há uma foto aparentemente do momento da descoberta, porém infelizmente muito apagada para qualquer observação.

Diana ou Amalteia?

Detalhe sobre a estátua de Diana, que parece indicar o local do aquário, refere-se a que, embora este seja o nome conhecido da escultura que também empresta o nome ao lago, estudos realizados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) a identificaram como a ninfa grega Amalteia, que amamentou Júpiter com leite de cabra. Na verdade a controvérsia existente pode ser parcialmente explicada pela mitologia, onde Diana é a representação romana da grega Amalteia, apesar de Diana estar acompanhada por um cervo e Amalteia por uma cabra, dentre outras diferenças na representação das duas.

A escultura é uma obra feita em granilito com dimensões de 1,62m x 1,10m x 0,75m e, como todo o mistério que a cerca, tem autor desconhecido. Representa uma figura feminina nua parcialmente coberta por um pano sentada sobe uma pedra e próxima a uma cabra. Acredita-se que o molde tenha vindo da França e que a estátua tenha sido instalada no local por volta de 1911. A estátua é idêntica à obra existente no Museu do Louvre intitulada “Amaltheia e a cabra de Júpiter”, de autoria de Pierre Julien, de onde acredita-se que tenha sido copiada. De acordo com o inventário de obras de arte em logradouros públicos da cidade de São Paulo DPH a estatua parece ter sido comprada da França pela Prefeitura na gestão de Raymundo Duprat (1911 – 1914), junto com outras obras adquiridas no mesmo período, e este é mais um dos mistérios do Parque da Luz.

No parque mais antigo de São Paulo está o aquário mais antigo de São Paulo instalado numa caverna de tijolos e concreto que imita pedras e outros materiais da natureza. Historiadores seguem estudando a instalação Aquário subterrâneo do Parque da Luz, em todo desconhecida, mas cercada de belezas naturais e arquitetônicas. Seguramente será uma visita onde você não se preocupará em contar as espécies de peixes que lá habitam, porém ficará emocionado com a descoberta de mais um pedacinho da cidade.

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