A saga do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo MAC USP

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), o museu público com a maior coleção de arte contemporânea nacional e internacional do Brasil, foi inaugurado numa época considerada excepcional na vida universitária.

O MAC USP foi criado em 1963 quando a Universidade de São Paulo recebeu o acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e a doação da coleção particular de Francisco Matarazzo Sobrinho, então presidente do MAM e sua esposa Yolanda Penteado. Ainda recebeu inicialmente obras advindas dos prêmios das Bienais internacionais de São Paulo até o ano de 1961, também idealizadas por Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, e com a doação de obras internacionais da Fundação Nelson Rockfeller.

Voltando no tempo

Não há como não vincular a existência do MAC USP à figura de Ciccillo Matarazzo. Empresário bem sucedido nas áreas de metalurgia, estamparia de embalagens e laminação, atuou, também, como um embaixador da arte. Seu envolvimento no campo artístico-cultural fez dele um colecionador de obras de arte e livros e empreendedor na área da arte contemporânea no país.

Em 1948, num período de grande expansão industrial, econômica e cultural da cidade, fundou o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1951, liderada pelo MAM e Ciccillo, foi proposta a criação de uma grande mostra internacional inspirada na Bienal de Veneza: a Bienal Internacional de São Paulo, que seguiu com a incorporação à coleção do museu das obras premiadas nas mostras internacionais, como já dito. Em 1962 Ciccillo resolve separar a Bienal do MAM, e cria a Fundação Bienal de São Paulo.

Desentendimentos dentro do conselho administrativo do MAM levaram a instituição à sua dissolução em dezembro desse ano, 1962, e à doação de seu acervo à USP, que instituiu O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC USP, em abril de 1963.

Por curiosidade, foi Sérgio Buarque de Holanda quem deu o nome MAC, pois apesar das obras de arte não estarem mais no MAM, este manteve o direito do nome, e contemporâneo foi uma palavra considerada próxima de moderno, para nomear o novo museu recém-criado.

Em sua fase inicial o MAC ocupou provisoriamente o espaço 5000m2 do terceiro piso do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, onde são realizadas as Bienais até os dias atuais.

Foi longa a espera para a construção de sua sede própria para o novo museu no campus universitário da USP, o que viria acontecer somente em outubro de 1992.

O MAC USP seguiu ampliando nas últimas décadas suas coleções modernas e contemporâneas de artistas brasileiros e internacionais e atualmente possui um acervo de cerca de 10 mil obras entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, arte conceitual, objetos e instalações, o que inclui uma coleção de arte italiana do começo do século XX.

A necessidade de maior espaço para acomodar e expor o extenso acervo, a reivindicação de dar um novo endereço para o museu com infra-estrutura mais adequada e maior visibilidade à sua coleção, levou em 2007 o então governador de São Paulo, José Serra, a assinar um decreto determinando a mudança da sede do MAC USP, agora pela terceira vez desde sua criação.

E assim, próximo aos cinqüenta anos de sua criação, o MAC USP iria inaugurar a terceira e nova sede ao ocupar o antigo prédio do Departamento Estadual de Trânsito do Estado de São Paulo (Detran), pertencente ao complexo arquitetônico do Parque do Ibirapuera, não sem antes passar novamente por longa espera pela entrega do prédio.

Quando ao MAM, suas atividades regulares retornaram no ano de 1969, em sua nova sede na marquise do Parque do Ibirapuera.

O edifício do MAC USP e a reforma de 2008

A nova sede do MAC USP foi inaugurada no dia 28 de janeiro de 2012, no imponente prédio, ex-Detran, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em frente ao Parque Ibirapuera.

Originalmente projetado como um dos palácios do Parque do Ibirapuera construído e inaugurado como parte das festividades do IV Centenário de São Paulo em 1954, o prédio foi a sede do Palácio da Agricultura de 1954 a 1959. Após esse período passou a abrigar até 2008 o frequentadíssimo Detran, quando a bela obra arquitetônica de Niemeyer, que na época de sua construção tinha 45 anos de idade, foi descaracterizada e ocupada por repartições e inúmeras divisões internas.

O edifício é um marco da arquitetura moderna brasileira com características típicas da chamada Nova Arquitetura: pilotis, fachada livre, terraço jardim, planta livre e janelas em fita. O edifício segue o formato geométrico modernista semelhante a outros do Parque do Ibirapuera em concreto armado que caracterizam os trabalhos de Niemeyer.

O prédio principal do conjunto arquitetônico conta com oitos andares incluindo o mezanino. Do segundo ao sétimo andar o espaço é destinado a exposições fixas ou itinerantes e no oitavo andar está o terraço, com belíssima vista panorâmica do Parque do Ibirapuera e da zona sul, com alcance até o centro da cidade. Há também um amplo anexo, projetado por Niemeyer, igualmente destinado a abrigar exposições.

Para adequar as instalações do edifício ex- Detran a receber um museu de grande porte como o MAC, foi necessária reforma e modernização do espaço, com entrega prevista inicialmente para o ano de 2009.

Consta que o escritório de Niemeyer atendeu à solicitação do projeto de reforma, porém que o projeto, ironicamente, foi recusado, pois, além de elevado custo, apresentava grande modificação na fachada, o que o descaracterizaria e tornaria a reforma inviável devido ao tombamento da obra que já existia nas três instâncias.

A partir daí o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Concresp – buscou uma reforma de menor valor. A reforma, então, ficou a cargo da Companhia Paulista de Obras e Serviços do governo estadual (CPOS), tendo como arquiteta responsável Valéria Rossi. Foram três anos em que pouco se sabia das mudanças internas e o que se via era o “prédio vazio do Detran”, que parecia esquecido.

Na reforma foram recuperadas partes degradadas do edifício, acrescentadas rampas de acesso e equipamentos e adaptadas as estruturas internas do prédio para receber exposições de arte tais como iluminação e climatização. Houve recuperação estrutural e da fachada, que permaneceu inalterada, com “cara de anos 50”. O revestimento do piso do hall de entrada e os degraus de granito da escada interna do prédio principal também eram tombados, e foram recuperados sem alteração das características originais.

Dois prédios anexos também foram construídos na parte posterior do edifício para abrigar a casa de máquinas e a reserva técnica, destinado ao acervo das obras de arte do museu. A arquitetura desses novos prédios possui traços propositalmente diferentes daqueles do edifício de Niemeyer, para que se destaquem tanto a antiga construção quanto a nova.

A onerosa reforma foi custeada pelo governo do estado de São Paulo e o edifício doado à Universidade de São Paulo, que ficou responsável pela implantação e manutenção do complexo.

A passarela Ciccillo Matarazzo passa sobre a Avenida 23 de maio e com sua bela vista liga o edifício ao Parque do Ibirapuera.

A sede do MAC USP

Em 2015, três anos após a inauguração, o prédio já possui obras de arte em todos os seus pisos e programação regular de exposições.

É um espaço bem cuidado internamente, calmo e infelizmente bastante vazio ainda, tanto em arte quanto em freqüência. Custa crer em toda a riqueza artística que dispõe e que não está disponível ao público!

A infra-estrutura interna para o público é discreta. Não existe o prometido restaurante ou mesmo um café, crítica que particularmente ouvi de um segurança do local. Há apenas uma fria máquina de café e petiscos sem variedade ou quantidade. No térreo há um esboço de espaço para venda de livros, que nunca evolui.

Na parte externa parece faltar acabamento. O gramado está abandonado e nada há no entorno. O estacionamento é grátis e com vagas suficientes.

Mas o atual MAC também merece elogios. Ouvir um “bem vindo ao MAC USP” cada vez que você entra, é sentir-se um pouco em casa. Os funcionários são extremamente atenciosos e zelosos de suas funções. Admirar o que é exibido e voltar novamente para ver as novidades que nos serão apresentadas é estimulante, mas seguramente muito mais poderia ser exibido.

O terraço do oitavo andar é especial e tem uma das melhores vistas da cidade. Impossível não se deparar com um ou vários “fotógrafos”.

A entrada no museu pode ser pela passarela Ciccillo Matarazzo ou, de automóvel, por uma escondida entrada na Avenida 23 de maio.

João Grandino Rodas, ex-reitor da USP, afirmou que “agora o MAC é um Museu de arte, dentro de uma obra de arte”, em alusão ao arrojado projeto de Niemeyer. Uma visita ao local e realmente você concordará com sua afirmativa.

Resta acompanhar a evolução e torcer pela grandiosidade que se espera da nova sede. Corredores sempre cheios de pessoas: isso eu gostaria de ver.

A seguir algumas obras de arte exibidas em diferentes momentos

Endereço e horários:

MAC USP Ibirapuera: terça a domingo das 10 às 18 horas
Segunda-feira fechado
Entrada e estacionamento gratuitos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *